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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Quem Quer Ser um Milionário?


Título original: Slumdog Millionaire
Ano de lançamento (E.U.A/Inglaterra): 2008
Direção: Danny Boyle

Há 4 ou 5 meses atrás quase ninguém apostava num tal de ´´Slumdog Millionaire`` nas principais categorias do Oscar (inclusive eu). Hoje, favorito absoluto e com expressivas 10 indicações, o filme deve ser o grande vencedor do 81 th Academy Awards levando a dobradinha filme-diretor. E por quê o motivo de tamanho sucesso surgir de maneira repentina e avassaladora? São tantos que com certeza esquecerei algum nesta resenha, mas um resumo bem específico exemplifica: ´´Quem quer ser um milionário?`` é um conto dos tempos modernos, uma fábula imaginária e realista da nossa época, a inclusão de pessoas comuns que passam por situações tristes, terríveis, degradantes e possuem força de superação para irem atrás de seus objetivos, sendo este nada menos que um amor perdido e eterno. Quem não gosta disso? Transcedendo a enorme beleza estética da trama temos Danny Boyle, que faz sem dúvidas um dos trabalhos de direção mais magnifico e inovador dos últimos anos. Tudo visto em tela é fruto do desempenho sublime deste super talentoso e brilhante diretor.

Jamal Malik (Dev Patel/ Tanay Chheda/ Ayush Mahesh) é um pobre favelado de Mumbai, na Índia, aparentemente um rapaz sem muita educação formal. Mas num programa telvisivo de sucesso (tipo um ´´Show do Milhão``) ele estar a uma pergunta de conseguir o prêmio máximo. Como ele conseguiu chegar até aqui? Trapaceou? Sortudo? Gênio? Destino? Mandado a uma sala de interrogátorio ele é torturado por militares e obrigado a esclarecer como o fez (já que ninguém acreditava num favelado para o prêmio máximo). Jamal então assiste junto com o militar uma fita contendo o programa do qual ele participou e todos verão como ele respondeu às perguntas, começamos através dessa narrativa totalmente complexa e diferente a entrarmos no mundo de Jamal, pois acontece que as perguntas do programas quase todas possuiam alguma ligação com os principais acontecimentos da triste história de vida do garoto e passamos por sua infância, adolescência e fase atual, à medida que o verdadeiro motivo dele participar do programa é revelado. Tudo por amor, o amor eterno que por motivos e ocasiões trágicas ele nunca pode ter, o amor de sua companheira de infância Latika (Freida Pinto/ Tanvi Ganesh/ Rubianna Ali), atrapalhado inclusive pelo próprio irmão de Jamal, Salim (Maduhr Mittal/ Ashutosh Lobo/ Chirag Parmar).

Uma definição do longa nos dias atuais onde o cinema mundial passa por uma crise de originalidade é esta: o filme é diferente e portanto, original. A começar pela narrativa nada convencional empregada na trama. Misturam-se presente (Jamal no interrogatório) e passados distintos (Jamal no programa, Jamal criança, jovem e adulto), todas ligadas entre si e apresentando uma conexão importante na vida simples e triste do garoto, fazendo do roteiro de vai-e-vêm um primor de objetividade, em momento algum tornando-se confuso. Claro que por este aspecto da trama nunca cair em desentedimento com o espectador valorizamos a brilhante e melhor montagem da temporada, que mantém a mesma conectividade presente no texto do longa e liga as fases de maneira rápida, frenética, mas sempre precisa e coerente, sendo este o principal elemento técnico da fita. Além disso temos uma fotografia eficiente no exercício de sua função, já que como o longa coloca-se como um conto, uma fábula, a fotografia transborda em cores vivas e fortes nas mais diversas fases da história, e impressionante como este trabalho cinematográfico vai sempre evoluindo, como se estivesse acompanhando a evolução não só da própria trama, mas de Mumbai em si.

A trilha de A.R. Rahman é fantástica, sublime e precisa em todas suas faixas. Alterna entre momentos de tensão, romance e a própria fábula em si, destaque para as faixas ´´Riots`` e ´´Mausaum and escape``. Ajudada este pela perfeita união e composição entre a qualidade sonora do longa, a edição e mixagem de som são de perfeito encaixe para a composição sentimental do longa. E por quê atores desconhecidos e sem muita experiência como Patel, destaque entre as atuações (carrega boa parte do drama para si próprio), Pinto e todos os outros, principalmente as espetaculares crianças, obteram um desempenho tão acima da média, levando-os a um status de gente grande? A resposta é Danny Boyle, a resposta de tudo é Danny Boyle, o diretor nos oferece um trabalho primoroso, sensacional, instigante e acima de tudo super cativante. Aliás este fora o principal mérito da sua direção; conseguir cativar o espectador de maneira convincente e inovadora como este o fez.

O único que não vi de sua filmografia ainda é ´´Caiu do Céu``. Do resto podemos perceber o fascínio de Boyle em pegar pessoas comuns, submetê-las a situações inusitadas e inesperadas e ao estudarmos o peculiar de cada uma delas, percebemos que nem o personagem nem nós mesmos (meros espectadores) sabemos o que este virá a fazer em seguir. Vemos isso bastante no seu primeiro longa ´´Cova Rasa`` e até em filmes com tramas apocalípticas tais ´´Sunshine`` e ´´Extermínio`` encontramos essas características. Ao nos cativar com uma história triste e miserável de Jamal ele consegue levar o personagem a status de herói, um herói comum em carne e osso, e isso é algo que Jamal nunca pensou nem considera ser. Outro grande ponto como já afirmado antes foi a condução de elenco feita pelo diretor, necessitando de um trabalho mais especial e cuidadoso nesta área. Utilizando clichês ele praticamente os elimina de forma inteligente, já que os transforma em mais um elemento da fábula passada e permitindo que um possível momento superficial passasse longe da cena. E embora utilize de recursos conhecidos uma contraste positiva na sua direção é a sua maneira de inovar, usando um estilo de câmeras em posições e cores diferentes. Misturando e equilibrando tensão, aventura, romance, comédia, fábula, o diretor nunca perde o foco da trama e mantém a mesma importância e curiosidade o espectador acerca de cada fase da vida de Jamal, sabendo conduzir o mesmo ritmo em duas horas de projeção. Enfim, de um trabalho brilhante nunca lembramos de tudo que gostaríamos, então irei parar por aqui.

E outra pergunta. Por quê comentei tanto de cada aspecto preciso e detalhado da fita? Porque na minha opinião uma obra-prima é aquele filme do conjunto, onde unindo todos seus aspectos obtêm-se o resultado, uma obra para ser assistida de maneira detalhada. Portanto posso afirmar, e são poucos ultimamente que entram nessa lista, que ´´Quem quer ser um milionário?`` é uma obra-prima e desde já minha torcida para o Oscar, num ano em que a lista de indicados foi no geral fraca, ao menos meu preferido do ano será o possível vencedor.

Cotação: 10

Torcida no Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Canção (Jai-ho).
Que pena não ser candidato: Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel).

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Filmes do Oscar: O Lutador, Milk e Frost/Nixon

Ficar sem postar na época do Oscar é chato mesmo hehehe, mas tentarei o possível. Ah! Devido a premiação o BDC Awards só retornará após o Academy Awards, esta semana será só sobre Oscar, e de cara três filmes que estão concorrendo.

O Lutador


Título original: The Wrestler
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Darren Aronofsky

Um filme independente e que suou bastante para ver a luz do sol acabou se tornando, ao menos para mim, uma das maiores surpresas da temporada do Oscar, um trabalho digno da premiação e que de certa forma merecia muito mais do que apenas duas indicações. Randy The Ram (Mickey Rourke) era um dos maiores nomes do pugilismo no país, e hoje nada mais é do que chamamos de um desiludido. Solitário e necessitado ainda insiste em continuar nas suas lutas de wrestling, onde é adorado e venerado por todos seus colegas de trabalho, é amigo de todos e nunca perde o controle, o tipíco sujeito boa-praça. Eis que numa de suas lutas ele sofre um ataque cardíaco e é seriamente alertado pelo seu médico para este nunca mais subir num ringue, podendo as consequências ser devastadoras. Desesperado e sem um intuito na vida ele decide tentar conquistar duas mulheres; uma é a stripper Cassidy (Marisa Tomei) e a outra é ninguém menos que sua filha Stephanie (Evan Rachel Wood), abandonada pelo próprio há muito tempo atrás. E à medida que ambas as reconciliações vão se formando, no caminhar das separações Randy Robbinson tomará uma decisão dolorosa na sua vida.

O roteiro do longa baseia-se numa trama simples, envolvendo uma temática já muito usada, mas honra-se ao em momento algum soar repetido ou clichê, criando uma originalidade natural. Fato este deve-se muito ao trabalho primoroso executado pelo injustiçado Darren na direção. Darren Aronofsky introduz um estilo diferente e fantástico, através dos movimentos de câmera e do encaixe perfeito de focos e locais. Seus diversos planos-sequência nunca se tornam cansativos e transcedem a sensação de tempo real da cena, como se estivessemos presenciando um documentário da vida do personagem ou como se ele estivesse prestes a entrar no ringue, aliás as cenas de luta são impressionamente poderosas e sublimamente bem realizadas e executadas pelo diretor. Outro aspecto importante é que o diretor utiliza muita bem os poucos ocorridos entre os personagens no roteiro, e os explora de maneira abrangente e refletiva, através de um estudo detalhado e objetivo do qual submete-os a um ponto inicial e final na trama. Falar da fita e esquecer de suas atuações é um pecado, louvando a bela composição de seu trio principal.

Marisa Tomei e Evan Rachel Wood desempenham seu papel com méritos, passando a dramaticidade necessária nas telas. Já Rourke faz mesmo seu retorno triunfal, nos passando um personagem tão sereno e indeciso, simples e complexo, mas acima de tudo triste e solitário, o levando a tomar suas decisões. É dele o principal motivo de nos apegarmos tanto ao personagem e idem a mesma razão que nos faz quase chorar no brilhante e inesquecível ato final do longa, já que na minha opinião (talvez pode ter SPOILER à frente) o verdadeiro desfecho da trama fica implícito no fundo preto da fita, nos poupando do que seria uma tristeza ainda maior e nos confortando com a disparada melhor música do ano ´´The Wrestler``, cantada por Bruce Springsteen, e inexplicavelmente ignorada pela Academia, não tem como entender mesmo. Aplausos para, infelizmente, um dos longas mais injustiçados do ano.

Cotação: 9.0

Torcida no Oscar: Melhor Ator (Mickey Rourke)
Que pena não estar concorrendo: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Canção.

****1/2

Milk - A Voz da Igualdade


Título original: Milk
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Gus Van Sant

Com um elenco formidável e um diretor bastante habilidoso e inteligente o longa chega na disputa abordando uma temática polêmica, e queira ou não, adorada pelos membros da Academia. A vida real de Harvey Milk (Sean Penn), um ativista político assumidamente gay e após ir morar com seu namorado Scott (James Franco) decide formar uma coligação com outros homossexuais e alianças partidárias, promovendo-o a tentar por diversas vezes ocupar cargos para a cidade de San Francisco, e quando finalmente consegue, torna-se um símbolo do homossexualismo no país, enquanto passa a pôr seus ideiais e pensamentos em prática dentro da conservadora política americana. Isto desencadeia obviamente na contrariedade de muitos, dentre eles um ex-suposto aliado; Dan White (Josh Brolin). Visualmente (não emocionalmente) mais forte do que ´´O Segredo de Bokeback Moutain`` esta película adota o tema do homossexualisto de maneira natural, já que tudo visto na tela é uma história real.

Todos, e são muitos, estão excelentes nos seus papéis. Josh Brolin passa um realismo incrivel e exemplar ao seu personagem, James Franco coloca boa parte do drama pessoal da fita à prova. Não esquecer do sempre ótimo Emile Hirsch e claro do astro da obra Sean Penn. Sua transformação física e sobretudo intelectual é fantástica, afinal lembremos da real personalidade do ator. Sempre incansável Penn se entrega totalmente ao papel. Gus Van Sant assina mais um bom trabalho de direção no seu currículo, analisando inteligentemente cada personagem que vemos na tela e digerindo a trama de forma madura, mas peca um pouco ao deixar o longa entrar num ritmo lento, ficando cansativo e entediante em algumas sequências. Ignorando o erro o grande mérito do longa vai para seu roteiro, que desde do início se mostra claramente uma trama de política, mas ao dar espaço para o intímo e peculiar dos vários personas, a fita transcede uma naturalidade simbólica, além de manter sempre uma concordância entre as diversas fases demonstradas, ajudada pela eficiente edição da obra. Um filme de política, que abrindo espaço para o intímo dos personagens, torna-se um drama inteligente.

Cotação: 8.0

Torcida no Oscar: Melhor Roteiro Original
Que pena não ser candidato: todas foram indicadas.

****

Frost/Nixon


Título original: Frost/Nixon
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Ron Howard

Diretor irregular e criticado por muitos Ron Howard conseguiu sua segunda indicação ao Oscar (na primeira ganhou pelo bom, mas não excelente ´´Uma Mente Brilhante``), indicação que na minha opinião foi forçada e pouco merecida, já que sua direção é apenas normal em comparação a outras muito mais fortes vistas no ano. 3 anos após sua renúncia o ex-presidente americano Richard Nixon (Frank Langella) aceita o convite para dar uma entrevista num programa do australiano David Frost (Michael Sheen), onde serão debatidos detalhes e obscuridades de seu governo. Nixon planejava dobrar fácil Frost e assim conseguir uma boa imagem do povo americano, mas durante 4 noites o que se sucede é uma batalha de palavras e conceitos, até que apenas um seria o vencedor, neste caso ou Nixon consegueria sua boa imagem ou Frost pioraria a já péssima imagem do político.

O filme não chega a ser ruim, mas está longe de ser uma grande coisa. Temos um enfoque político e cultural interessante sobre a sociedade americana, onde Howard acerta em passar a tensão precisa nas cenas de debate. O forte do longa são as atuações (único de ótimo na fita), não só de Langella que faz um Nixon tão perfeito, aliás em nada fisicamente ambos se parecem, mas ao capturar a alma e a essência do presidente, o resultado se torna fantástico. Michael Sheen nos oferece mais um trabalho competente, assim como o resto do elenco. Mas o que mais me desagradou no longa foi ver a incapacidade de Ron Howard em equilibar a intimidade e a vida política dos personagens (feito com proeza em ´´Milk``), pois se o filme estuda muito pouco o pessoal dos envolvidos, o faz de maneira muito lesa, não conseguindo passar o drama necessário para a trama. Consequencia disto surge que o filme apenas empolga o espectador a partir do terceiro debate. Com uma edição inteligente, uma trilha sonora eficiente e um roteiro bom, mas mal interpretado, ´´Frost/Nixon`` não é ruim, é apenas descartável.

Cotação: 6.5

Torcida no Oscar: none
Que pena não ser candidato: está sendo candidato até demais.

***1/2

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Leitor

Nossa... para não cair em esquecimento total, vim escrever um breve post no blog, do qual deve retornar à ativa em meados desta semana. E nada melhor que voltar à ativa comentando sobre os filmes indicados ao Oscar, antes de continuar o BDC Awards 2009.
Título original: The Reader
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Stephen Daldry

Subestimado por muitos na corrida do Oscar, ´´O Leitor`` surpreendeu ao chegar com a dupla indicação filme/diretor, além de elevar Winslet à merecida categoria principal de melhor atriz. A Academia adora o Daldry e não é por menos, todos os seus filmes são belos e tocantes, envolvendo um drama interior e interpessoal notável em seus personagens, o que faz com que estes tomem rumos totalmente diferentes do que imaginávamos. E isto acontece com proeza no seu novo longa, contando ainda com uma abordagem narrativa divergente das demais quando estuda-se uma temática tão polêmica como o nazismo, utiliza-se no longa um estilo de imagem diferente, não os colocando como monstros, mas como seres que cometeram erros inapagáveis e destruidores, e que chegaram a compartilhar sentimentos verdadeiros com outros como o relacionamento entre os protagonistas.

Michael Berg (David Kross/Ralph Fiennes) é em 1995 um bem sucedido advogado, separado e pai de uma filha. Mas ele manteve um segredo durante toda a sua vida. Em 1958 aos seus 15 anos, numa Alemnha em plena recuperação pós-guerra, ele se envolveu com uma mulher muito mais velha chamada Hanna Shmitz (Kate Winslet) onde passaram um verão inteiro juntos, apegando-se amorosamente um ao outro, até que Hanna resolveu abandoná-lo. Transtornado e depressivo Michael trata de retornar à sua vida habitual e entra numa faculdade de Direito. É então quando ele vai assistir ao julgamento de 6 mulheres que foram oficiais nazitas durante a Segunda Guerra, acusadas de crimes severos e monstruosos. Uma dessas mulheres é Hanna e Michael se vê abalado ao ter consciência da verdadeira face de seu amor juvenil. A cada sessão ele descobre mais sobre a moça, até que num certo dia onde precisam da escrita da acusada para validar uma prova ela se rejeita e diz não ser necessário, confirmando a prova. Michael então percebe o verdadeiro motivo de sua atitude; ela não sabe ler e sempre escondeu isso, relembrando os romances que ele recitava para Hanna, enquanto esta apenas escutava e nunca fazia questão de ler por si própria.

Indeciso entre revelar seu segredo ou não ao tribunal, ele decide escondê-lo pelo resto da vida, e isso trará a ambos vastas consequências nas suas vidas, na parte pessoal do próprio Michael e no rumo que Hanna toma. Adotando uma narrativa de vai-e-vem, mas contínua, o roteiro do longa destaca-se como um de seus melhores aspectos, balanceando bem as fases do personagem e estudando-os e descobrindo-os de maneira satisfatória conoforme os anos vão passando, se posicionando a todo momento como um drama sentimental bastante parecido àquele velho estilo de filmagem do cinema europeu. E Daldry consegue mais uma vez pôr seus conceitos em prática, aproveitando da situação dos personagens e colocando-os em conflito com eles mesmos, mas sempre utilizando um aspecto simplório fazendo deles pessoas comuns em momentos incomuns e inesperados. Maduro e consciente o diretor nunca perde o foco da película nas diversas fases do longa, salvando o espectador da confusão e sempre mantendo uma concordância entre os fatos, uma continuidade.

A parte mais brilhante do longa é claro o momento em que Daldry dedica-se apenas a estudar o relacionamento entre os dois, mantendo um tom de romance, drama e suspense incrível, o que faz que se o filme fosse só aquilo já daria um excelente resultado. Por isso explica-se o fato de na última fase a fita perder um pouco de sua qualidade dramática, nos dando saudades da época de início da projeção. Winslet vai ganhar o Oscar, e merecidamente, já que a atriz é passiva de uma serenidade e curiosidade incrível para sua personagem e ao contrário do que esperávamos não nos faz odiá-la (e eu odeio demais qualquer coisa ligada ao nazismo). Ralph Fiennes, como sempre, faz um trabalho excelente (é até clichê ficar repetindo isso), o talento do ator é estupendo e brilhante. Outro que também atua tão brilhantemente no longa é David Kross (injustamente esnobado nas premiações), pois afinal ele carrega grande parte do drama da película nas suas costas. Com qualidades técnicas irretocáveis, inclusive o sempre fantástico Roger Deakins na fotografia, ´´O Leitor`` é um filme que merece estar entre os 5 finalistas, sendo meu terceiro preferido dentre os indicados, mas talvez nem entraria no meu top 5, acho na verdade que por bem pouco não entraria.
Cotação: 8.5

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button


Título original: The Curious Case of Benjamin Button
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: David Fincher

Diretor extremamente talentoso, David Fincher vem assinando projetos dos mais procurados e aclamados em Hollywood, tanto no seu último longa (o esnobado e injustiçado pelas premiações ´´Zodíaco``) como agora na sua mais nova obra, novamente aclamada pela crítica e finalmente embarcando nas principais premiações, com grandes chances de ser o vencedor do Oscar. Adaptado do conto de F. Scott Fitzgerald (que você lê em inglês aqui) o longa conta a fantasiosa e belíssima história de Benjamin Button, um homem que nasceu com as feições e depedências físicas de um idoso, mas que ao passar dos anos, estranhamente começa a rejuvenescer e ganhar aspectos e qualidades cada vez mais joviais, à medida que vive de encontros e desencontros com o amor de sua vida. Dentre os longas da temporada do Oscar este é sem dúvidas um dos trabalhos mais brilhantes, para mim ficando bem pouco, mas bem pouco mesmo, atrás apenas de ´´Slumdog Millionaire``, de Danny Boyle.

No fim da Primeira Grande Guerra o senhor Thomas Button (dono da frábrica de botões) estava aflito. Sua mulher estava prestes a ter seu filho no parto. Não resistindo ela morreu e fez o marido prometer que ele cuidaria da criança, mas ao ver o recém-nascido o Sr. button assustou-se, vira uma deformação, ´´um bebê de aparentemente mais de 80 anos de idade``. Não conseguindo matá-lo abandonou o filho, deixando-o num abrigo de idosos, onde fora achado por Queenie (Taraj P. Henson), uma funcionária do abrigo e que passou a cuidar do estranho bêbe. Diferente do que os médicos previam, Benjamin Button (Brad Pitt) ao invés de morrer logo, foi ficando cada vez mais novo, forte e virtuoso, chegando a conhecer uma garotinha bem nova, chamada Daisy, da qual logo ficou grande amigo. Quando Benjamin sentiu-se capaz de deixar sua casa e sua mãe adotiva, decidiu sair afora e ver o que o esperava. Enquanto ficava mais jovem, conhecia novas pessoas, novos lugares, e ia inclusive à guerra, nunca chegou a esquecer Daisy, até que um dia, quando este retornou, ambos se encontraram, e passaram a viver sua fabulosa história de amor, repleta de decepções, controvérsias, e encontros e desencontros, à medida que ambos envelhecem e Benjamin se torna cada vez mais jovem aos olhos da cada vez mais velha Daisy.

Com qualidades técnicas espetaculares, esta se torna uma obra do conjunto, onde percebemos a total importância de qualquer um que seja seu quesito. A maquiagem e os efeitos especiais são fantásticos e necessariamente realistas, acompanhados de uma direção de arte perfeita e uma fotografia primorosa, passando de maneira inteligente o clima da época. A montagem ganha um aspecto primordial na passagem de tempo, fazendo com que o personagem sempre entre em concordância com o espectador, e sempre matendo um bom ritmo nas demais fases da vida de Benjamin, enquanto como uma grande ironia e antítese envelhece e rejuvenesce. A trilha de Alexandre Desplat nada mais é do que esplêndida, maravilhosa em todas suas melodias, romântica, divertida, engraçada e poética. Aliás poesia seria o principal elemento a ser descrito no longa. Afinal de contas Eric Roth praticamente reinventa a história e faz um roteiro muito mais completo, abrangente e realista, além de mudar o rumo da trama, de maneira que a faz muito superior ao próprio conto em que esta foi inspirada (seria um roteiro muito mais original do que adaptado).

Quando afirmo que poesia seria o quesito essencial a adotar no longa não minto. Isso deve-se a todas as qualidades ressaltadas anteriormente, mas sobretudo e com extrema relevância ao trabalho feito pelo seu diretor David Fincher. Fincher utiliza desses aspectos e faz do filme poesia pura. Sua direção poética se torna clara desde do início, quando adotando uma concepção de fábula, ele introduz fantasia e realidade juntas, lado a lado, tristeza e alegria, diversos momentos cômicos (todos membros de um belo humor poético), além do estudo e desenvolvimento intenso dos seus personagens. Outro ponto importante na sua direção foi nunca deixar a fita se tornar cansativa, mesmo com suas longas quase 3 horas de projeção, e isto deve-se ao seu estilo de filmagem, inteligentemente adotado com os devidos aspectos ditos acima sendo conciliados e usados, além de logicamente das atuações fantásticas de todo o elenco. Blanchett passa a mesma dramaticidade em sua personagem desde adolescência até sua idade avançada, prestes a morrer em uma cama de hospital, enquanto Tilda Swinton e Taraj P. Henson representam com enorme facilidade a importância de suas personagens na vida de Button.

Mas é Pitt quem, junto com Fincher, se destaca no longa. Sua atuação é incansável e irresistível, parece que a poesia da trilha, das qualidades artísticas, técnicas e sonoras, do roteiro de Roth e claro da direção de Fincher, penetraram na brilhante atuação do super talentoso ator. Pois lembremos, que é dele uma função indispensável; carregar todo o drama da obra nas suas costas, por quase o filme todo. Enfim ´´O Curioso Caso de Benjamin button`` , merece todos os prêmios possíveis, e embora por um pouquinho a mais, eu ainda prefira ´´Slumdog Millionaire`` ficaria muito triste ao ver Benjamin Button perdendo o Oscar. Portanto torceria para uma vitória de Boyle em direção (que consegue ser superior a Fincher) e talvez num dos dois para levar Best Picture, podendo ainda Brad Pitt ser lembrado por sua brilhante e memorável atuação. E que viva o mundo da poesia, que esta obra única resgata com louvor, se aproximando muito e por pouco não chegando a ser o que chamamos de obra-prima.

Cotação: 9,8

sábado, 3 de janeiro de 2009

Edukators

Começando o ano com o terrível medo de cometer algum erro gráfico, devido a mudança na ortografia portuguesa, mas tudo bem, pouco importa. Gostaria também de salientar a respeito da premiação mais importante do mundo cinéfilo, o Blog dos Cinéfilos Awards 2009 (BDC Awards) rsrs, perdoem-me a brincadeira, mas esta premiação organizada pelo editor do blog terá anunciada seus indicados nesta quarta-feira, dia 7. Nos vemos lá! Depois do comunicado vamos ao filme.


Título original: Die Fetten Jahre Sind Vorbei
Ano de lançamento (Alemanha): 2004
Direção: Hans Weingartner

O longa alemão ´´Edukators`` não se apresenta como um filme revolucionário e impactante, que faz de sua temática o centro das atenções, desviando-se para um estudo de suas características submetendo seus personagens apenas às discussões políticas das quais se encontram, o que na verdade são os principais requisitos de filmes do gênero. ´´Edukators`` consegue ir mais longe e sobressair-se dos demais, por apresentar uma trama que tem seus personagens em primeiro lugar, as consequências de suas concepções e pensamentos em segundo, abrindo espaço para os dialgólos discursivos sem que estes soem pragmáticos, chatos ou até repetitivos. Torna-se ainda mais interessante quando as mesmas pessoas que estão discutindo aqueles problemas tão globais e estagnados são pessoas simples, que hoje em dia nada podem fazer para mudar a situação e elas mesmos inconformadas parecem saber disso.

Jan (Daniel Burh) e Peter (Stipe Ecerg) são dois jovens idealistas que encontraram uma maneira diferente de expressarem seus conceitos. Eles invadem mansões quando os donos viajam e ao invés de roubarem objetos bagunçam completamente a casa, mudando imóveis e objetos de lugar, deixando uma mensagem para o dono da casa: ´´Vocês têm dinheiro demais... Ass: Os Educadores``. Um dia Peter viaja para Barcelona e pede para Jan ir ajudar sua namorada Jule (Julia Jentsch) na pintura do apartamento do qual ela estava sendo despejada. Jan e Jule acabam ficando intímos e se envolvendo casualmente, e ao Jan contá-la sobre o que ele e Peter faziam eis que a moça sugere um plano. Ir com ele até a mansão de um homem, que Jule acidentalmente havia batido o carro e fora obrigada a pagar inúmeras prestações até hoje, fazendo-a ficar seriamente necessitada e com pouco dinheiro. Os dois topam e fazem o ´´serviço`` na casa do idoso rico.

Após Peter voltar de viagem, Jule liga para Jan e diz desesperada ter esquecido o celular na mansão e que eles deveriam voltar. Mas nesta segunda inesperada visita, logo após acharem o celular, Hardenberg (Burgat Klaubener), o dono da casa, volta de viagem e encontra os dois inquilinos. Sem saberem o que fazer eles deixam Hardenberger inconsciente e pedem ajuda de Peter. Os três jovens decidem então sequestrá-lo e levá-lo a uma cabana distante na floresta, que Jule conhecia. Hardenberger passa então a conversar com os idealistas e discutir sobre os atuais assuntos que envolvem capitalismo, desigualdade, tirania dos ricos, raízes político-históricas e etc, à medida que vai ganhando confiança e afeto dos sequestradores e um triângulo amoroso vai se formando.

Como eu disse o principal mérito do longa está nos seus dialógos, portanto no seu roteiro. Os debates dos assuntos oferecidos pela temática, embora os mesmos que nos acostumamos a ver, não soam repetitivos muito menos clichês, são intrigantes e interessantes, talvez por apresentarem os pontos de vistas de ambos os lados, do burguês rico e do jovem idealista, num confronto de palavras sem fim. Como a maior parte do filme se concentra nesses quatro personagens todos os protagonistas dão um show, oferecendo veracidade aos seus conceitos e ideologias e expressões aos seus sentimentos pessoais e peculiares, em destaque para Burh e Burgat, que conduz a aparente transformação do personagem de maneira brilhante. Hans Weingartner faz uma direção segura e que não procura se sobrepor aos seus atores, inovando bem em alguns aspectos, como a fotografia em certas sequências sendo feitas por celulares, passando a certa impressão de que eles eram apenas jovens e queriam filmar e gaurdar aquele momento para si.

Cotação: 9.0

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A Felicidade Não Se Compra

Título original: It´s a Wonderful Life
Ano de lançamento (E.U.A): 1946
Direção: Frank Capra

Chegando esta época do ano, este talvez seja o filme mais passado nas têves de todo o mundo, e com louvor, ninguém consegue passar uma mensagem tão humana e tocante como a obra-prima clássica de Frank Capra, um imigrante italiano que tinha a enorme facilidade de transformar a vida mundana e simples de uma família americana ou um círculo de amizades, em uma fábula de alegria, tristeza, aventura, surrealismo, e com todo o encanto e a beleza dirigida aos seus filmes fazia desses simples homens verdadeiro heróis, em carne e osso. E ninguém melhor que um bom samaritano como o ícone James Stewart para mergulhar na alma humana e descobrir o verdadeiro sentido da vida. Uma mensagem natalina como esta jamais será alcançada novamente.

A Felicidade Não se Compra é um filme inovador e diria até revolucionário para sua época. A começar pela primeira cena do longa, onde anjos são mostrados através de flashes brilhantes no espaço, e eles têm de atender às diversas rezas de uma cidade inteira por um único homem, George Bailey (James Stewart). O anjo Clarence (Henry Travers) é chamado para ajudar no caso e com isso ele ganharia finalmente suas tão amejadas asas. Para saber mais sobre o humano Clarence então tem a oportunidade de assistir flashes-back da vida de George Bailey. É através desse método um pouco incomum que somos apresentados à intimidade de George, inicialmente um garoto que salvara a vida do irmão num ocorrido, e depois um jovem que queria sair viajando pelo mundo, mas após a morte de seu pai se vê na obrigação de assumir a firma herdada, para que esta não caia nas mãos do milionário e egoísta Potter (Lionel Barrymore).

O vilão do longa é apresentado como um rico, frio e egocêntrico capitalista, enquanto o herói um idealista e humilde George Bailey, que faz de tudo para manter sua firma e ajudar as pessoas da cidade (financiando casas e liberando empréstimos), já que seu banco seria o último impecilho para o senhor Potter se apoderar de toda a cidade. George se casa com sua amiga de infância Mary (Donna Reed) e continua preso na pequena cidade natal, sendo conhecido e amado por quase todos. Num 24 de dezembro uma fatalidade acontece. O tio de George também trabalhador do banco perde o dinheiro que deveria usar para pagar as contas da firma, perde justamente por acidente para Potter, que não devolve o dinheiro e vê uma oportunidade de acabar com o negócio dos Baileys. Ao saber que poderia ser preso e ter sua firma fechada George entra em desespero e após beber muito resolve cometer suicído.

Para impedi-lo entra o anjo Clarence em cena e faz uma proposta a George, ele resolve mostrá-lo como seria o mundo se ele não tivesse nascido. George, pensando que estava ao lado de um louco, volta com à cidade para se embebedar novamente, mas agora esta não se chamava mais Bedford Falls e sim Pottersville, seus vários amigos não o conheciam e tinham uma vida completamente diferente, alguns rudes e violentos, outros por não terem George para ajudá-los estavam pobres e miseráveis, sua firma havia fechado logo após a morte de seu pai e seu tio tinha sido internado num manicômio, seu irmão tinha morrido aos 9 anos afogado (e os soldados de um navio durante a guerra tinham morrido, pois o irmão de George não estava ali para salvá-los), pois George não estava lá para salvá-lo do acidente, o amor de sua vida Mary era uma solteirona solitária. Ele aí se dá conta do verdadeiro valor da vida.

Capra consegue com uma simples e comum história realizar um verdadeiro conto natalino e uma fábula inesquecível, utilizando de recursos então novos na época, como a imagem congelada, a narração em off de um personagem onipresente e o drama humano mais realista possível, passado em todos os seus longas. Conta ainda com a ajuda das impecáveis e memoráveis atuações, principalmente Jimmy Stewart, transformando em símbolo da alegria e felicidade após esse filme. E realmente este é o motivo de se viver, saber que a todo momento, voluntário ou não, nós interferimos na vida de outras pessoas, e que muita gente nos dar valor e sentiria ou teria sua vida mudada caso nós morressemos, e se o final do longa é um dos mais belos e emocionantes desfechos já proprocionados na história do cinema não é a toa, pois ele nos dar vontade de sair beijando amigos e familiares, desejando feliz natal e demonstrando o quanto eles são idem importantes na nossa vida.

Cotação: 10

Portanto para todos um FELIZ NATAL! E que levem a mensagem de George Bailey consigo não só na festa mais à tarde, mas para toda a vida, afinal de contas ´´it´s a wonderful life``. Muitos filmes de presente rsrs e muita paz, obrigado a todos que acompanharam esse blog durante o ano de 2008.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Virada Cinematográfica

O cinecult, pelo cinemark, passou a realizar a virada cinematográfica aqui na minha cidade (Aracaju-SE), e pela madrugada deste sábado para domingo fui para a terceira edição do evento, inclusive acompanhado do nosso amigo cinéfilo Marcel (Talking About Movies), onde foram exibidos a partir de meia-noite os filmes ´´Leonera``, Filme Supresa: ´´Feliz Natal`` e ´´Control``, longas que pelo menos por aqui só devem entrar em sessão pelo mesmo cinecult ou talvez nunca entrem. Primeiramente parabéns aos organizadores do evento, que reuniu até bastante gente, e sim, respondendo principalmente para quem nos consideram loucos por tomarmos essa atitude, sim, vale a pena virar a madrugada assistindo bons filmes. Farei agora um breve comentário sobre os três longas exibidos.


Leonera (Pablo Trapero, 2008): Julia (Martina Gusman) é encontrada ao lado dos corpos ensanguentados de Nahuel e Ramiro. Ramiro consegue sobreviver e Julia é presa pela suposta autoria do ocorrido. Grávida de 2 meses, ela é enviada a uma penintênciária especial para mães reclusas, onde teria direito de conviver com o filho dentro da prisão até seus 4 anos de idade. Após o menino nascer ela vai fazendo novas amizades com outras mães detentas, à medida que se apega cada vez mais ao seu filho. As atuações são impecáveis, em especial para Martina que para cada minuto que passa desenvolve e amadurece mais sua atuação. O roteiro nada leve tem uma temática totalmente complexa e bruta, devendo ser altamente controlado por uma boa direção, e está aí o grande destaque do longa argentino. A direção de Trapero é simplesmente fabulosa, havendo a necessidade de ser organizada e centrada, por filmar as maiorias das cenas num presídio, além de saber conduzir o elenco de maneira sensata, ainda mais por se tratar das várias crianças em cena a todo momento. Um exemplo claro desta detalhista e organizada direção são os vários planos-sequência, magistralmente bem realizados, em menção especial para aquele que ela sái do presídio para ir visitar o filho. Pode ser um forte concorrente ao Oscar.
Cotação: 8.5


Feliz Natal (Selton Mello, 2008): Um filme natalino intitulado ´´feliz natal``onde aborda-se uma família que de feliz não tem absolutamente nada. Uma visão melancólica do espírito natalino. Caio (Leonardo Medeiros) retorna após muitos anos à casa da família, em plena festa de natal. Ao tentar reaproximar-se de todos ele faz uma reflexão sobre sua vida e percebe a total desgraça individual do qual cada membro da família que este se separou, se encontram. É um drama principalmente pessoal e psicológico, solitário. Selton estréia bem na direção ao utilizar uma fotografia escura (mesmo com as luzes de natal) e uma montagem que quase nunca se move e fixa-se bem no rosto dos personagens, procurando não demonstrar o que ocorre ao redor. Porém o destaque sem dúvidas vai para o humor negro presente no longa, sobretudo o garotinho com sua inocência encantadora. Mas sinceramente tenho de confessar, não fui capaz de entender qual a verdadeira intenção do longa, se esta existe ou ficou implícita por demais. Portanto o resultado é positivo, a intenção eu não saberia dizer.
Cotação: 7.0


Control (Anton Corbijin, 2007): A cinebiografia de Ian Curtis, vocalista da lendária banda inglesa ´´Joy Division``, que aos 23 anos de idade no auge contínuo de seu sucesso, se enforcou. Essa pequena sinopse deixaria qualquer um triste e o longa poderia se tornar completamente melancólico, mas não é este o caso de Control. O filme sempre procura manter o ritmo frenético de Ian e a banda, e entre ele e sua esposa, e idem com seu amor extra-conjugal, justamente as três correntes de Ian do qual ele mesmo fez com que os levasse a ruína. Ao registrar a fotografia em p&b o diretor consegue refletir o visual da época e recria bem através de takes bem estruturados a visão do mundo do cantor. O destaque porém, são as atuações, de Samantha Morton, como a esposa traída e apaixonada, ou da espetacular e peculiar atuação de Sam Riley, que consegue recriar Ian da sua maneira desleixada e melancólica, e que apesar de todo o suporte que tinha, era triste e infeliz consigo mesmo, algo que ele não podia aceitar. A história é trágica e chocante, porém o legado de Ian Curtis e sua Joy Division ficou, e justamente por isso estou escutando agora uma das suas mais famosas músicas ´´love will tear us apart``.
Cotação: 8.0

domingo, 9 de novembro de 2008

Gomorra


Título original: Gomorra
Ano de lançamento (Itália): 2008
Direção: Matteo Garrone

Comparações foram feitas a clássicos memoráveis tais como ´´O Poderoso Chefão`` e ´´Os Bons Companheiros```, mas se na minha opinião ´´Gomorra`` não é párea para estas obra-primas, forças da natureza, ao menos o filme italiano consegue figurar entre os melhores filmes de máfia já feitos. E olhem que é grande o acervo de fenômenos que neste grupo seleto estão e olhem também que este é um dos meus gêneros favoritos. Este longa é um filme de máfia, mas que se sobressai dos demais feitos nos dias atuais por um certo aspecto, possui uma trama diferente e uma narrativa totalmente complexa e abrangente. Baseado no livro de mesmo nome, do autor Roberto Saviano (hoje ameaçado de morte pela máfia) o longa de Matteo Garrone procura revelar todas as camadas e faces da máfia italiana de Nápoles, esta chamada de Camorra.

Ao referir-me a todas as camadas e faces exalto a importância da narrativa deste filme. A máfia não é mostrada apenas pela história de um jovem que decide entrar no mundo do crime ou de um grande chefão que se encontra no meio de uma guerra entre famílias. Ao tentar retratar e revelar assim como o livro todas as verdadeiras facetas da máfia, o roteiro procura enfocar vários personagens principais e secundários, assim podendo estudá-la desde seu poderoso chefão até o pequeno garoto que passa a fazer pequenos serviços para o grupo. O mais interessante é que não são histórias destinadas a se cruzar, não são relações diretas entre os personagens, mas sim indiretas. O simples fato de todos contribuirem em algo para a máfia faz com que seus destinos se choquem, mesmo uns não conhecendo aos outros nem nunca os terem visto.

Uma grande obra-prima de Fellini, intitulada ´´Amacord`` procurou através de diversos personagens e tramas distintas demonstrar a sociedade italiana da época, com um humor poético impressionante e fundamental. ´´´Gomorra`` procura com seus diversos personagens e tramas distintas enfocar e analisar e máfia de Nápoles, com um tom mais violento, cruel e triste. E se o destino de seus personagens é chocante, não podia-se esperar algo diferente devido ao que fora refletido pela trama. Para manter essa narrativa rápida, repleta e seca, Garrone se utiliza de um estilo de filmagem quase que documental (similar à ´´Z``, de Costa Gravas), e também não deixa os minímos detalhes presentes no roteiro escaparem ou serem esquecidos pelo espectador. Uma direção bastante segura e inspirada, que soube retirar a tamanha naturalidade precisa dos seus atores (a maioria oriunda do teatro) além de passar um tom sombrio no longa.

Aliás esse tom é refletido na sua fotografia, escura e ao mesmo tempo fria e seca. A montagem do filme assim como a fotografia é primorosa, nunca em momento algum tornando-se confusa mesmo diante de vários personagens e histórias diferentes, além que consegue manter o aspecto documental do longa demonstrado pelo diretor. São histórias diferentes, mas na verdade idem iguais, fazem parte do mesmo ninho e com isso o diretor não explorou uma trama mais do que a outra. Todas foram igualmente retratadas e estudadas. Violento, cru e realista ´´Gomorra`` além de diferente é um dos melhores da atualidade em filmes de máfia. O Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por hoje é da Itália. Ninguém sabe o que virá a acontecer, talvez por essa mudança na categoria se torne realmente mais difícil uma mancada do filme não ser indicado ou até ganhar. Pois sem dúvidas e sem medo de confessar, digo que é muito difícil surgir um longa superior na disputa desta categoria.

Cotação: 9.5

domingo, 2 de novembro de 2008

Última Parada - 174


Títilo original: Última Parada - 174
Ano de lançamento (Brasil): 2008
Direção: Bruno Barreto

Escolhido como representante brasileiro na corrida do Oscar, ´´Última Parada - 174`` de Bruno Barreto possue aquelas mesmas temáticas sociais já adotada em vários outros filmes do excelente cinema nacional. Não fosse o ótimo roteiro e a direção segura de Barreto o filme poderia cair num deja vu sem fim, aliás por que sempre a pobreza tem de ser divulgada mundo afora pelo nosso cinema? Filmes melhores é verdade poderiam ter sido escolhido para tal cargo, mas nenhum desses aspectos tira o mérito do nosso representante como um bom filme, chegando a ser revoltante por baseiar-se numa história real. Ao contrário do que muitos dizem, não considero este filme uma tentativa de vitimizar e romantizar o Sandro. Encarei-o como a biografia de um marginal, apenas um dentre tantos à solta no nosso país, e talvez essa tenha sido a verdadeira intenção do diretor.

Sandro (Michel Gomes) teve realmente uma infância difícil, roubado das mãos de sua mãe por um traficante de drogas ele foi entregue a uma outra mulher que o ´´adotou``. Esta foi brutalmente assassinada por um ladrão e o menino foi morar com a irmã de sua até então mãe. Inconformado ele foge de casa e passa a viver como um menino de rua, onde se perde no mundo das drogas e passa a cometer pequenos furtos e roubos, para mais tardiamente após escapar do ´´massacre da Candelária`` se juntar a Alê Monstro (Marcelo Mello) e fugir da prisão de menores. A partir daí ele se torna um verdadeiro bandido, cometendo assaltos. Sua mãe verdadeira Marisa (Cris Vianna) parte à procura de seu filho, a fim de resgatá-lo daquele mundo e tentar lhe dar uma vida melhor, mas nada poderia convencer Sandro de que ele era apenas um garoto e tinha chance de ser salvo.

Me surpreendeu bastante a direção de Barreto, embora houvesse falhas claras. O principal mérito foi manter o ritmo de uma verdadeira biografia sem que ela caísse no desgosto por se tratar de uma figura transformada em monstro pelo país. Fez uma direção segura e bastante centrada e organizada, mas peca somente em algumas cenas superficiais por demais que poderiam levar o espectador aí sim a pensar dele estar querendo vitimizar o bandido. Outro aspecto importante de sua direção foi não permitir que o filme se tornasse lento, ajudado bastante pela boa fotografia e ótima montagem, mas principalmente pelas ótimas atuações, principalmente do seu protagonista. Parece ter muito futuro esse Michel Gomes. A trilha sonora serve para avisar de que algo terrível e trágico viria a acontecer, e funciona em certo ponto. Um ponto fraco do roteiro e do diretor foi explocar muito pouco o assalto, a parte mais esperada do filme na verdade. Ele foi enfocado como apenas mais uma parte da vida de Sandro, e por esse aspecto o longa perdeu muito de sua tonicidade e realidade. Além de que algumas cenas clichês no momento mais inoportuno (Walquíria gritando ´´Alê``), e revoltante como a de ver um bandido safado como Alê Monstro, que matou uma mulher à sangue frio, derramar lágrimas por Sandro e consolar a sua mãe no enterro.

Lembro como hoje do assalto ao ônibus 174, aliás quem assistia à tv na hora não tem como não lembrar. Como eu disse, a história de Sandro é só mais uma dentre várias, mas também de várias que não seguem o mesmo caminho vermelho deste, e hoje possuem emprego, casa, filhos, esposa. Ele nunca vai ser um herói, muito menos uma vítima. Embora tivesse propício a se tornar aquilo ele teve por diversas vezes a escolha entre o bem e o mal, e sempre escolheu o mal. Poderia continuar morando com a tia e não o fez, poderia ajudar e viver auxiliado pela tia Walquíria (Anna Cotrim) como aparentemente outros meninos fizeram, ou até ter vivido com sua mãe e buscar um outro rumo. Mas não, ele por livre arbítrio escolheu seu caminho e foi justamente isso o que o roteiro de Braulio Mantovani tentou demonstrar. Ninguém nasce para isso ou aquilo. Todos nós temos a oportunidade de escolher se vamos entrar na porta azul ou vermelha. Boa educação e tratamento ajudam na hora de escolher é verdade, mas isto muito mais depende da índole da própria pessoa.

Cotação: 7.5

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira



Título original: Blindness
Ano de lançamento (Brasil/Canadá/Japão): 2008
Direção: Fernando Meirelles

Nossa! Finalmente de volta!
Fui repentinamente forçado a me ausentar por um certo tempo sem ter a oportunidade de dar satisfações, pc quebrado, semanas de prova na faculdade, aulas da auto-escola. Enfim, agora estou de volta e com atualizações muito mais regulares, podem estar certos disso.

Finalmente também digo por ter assistido Ensaio Sobre a Cegueira, filme que estreou por aqui na minha cidade cerca de quase um mês depois da estréia nacional. Corri para o cinema assim que soube da excelente notícia. Afinal li o livro fabuloso de José Saramago e estava muito ansioso acerca do filme. Antes de nada vale ressaltar o grande casting além de um ótimo diretor do qual o filme contava. Meirelles vem fazendo cada vez mais sucesso mundo afora após o sucesso internacional de sua obra-prima Cidade de Deus. E seu grande mérito neste longa é aprofundar-se no interior dos personagens, assim como feito no livro, e tentar passar a naturalidade a todo momento como nas boas cenas de humor e casualidades que ocorrem. Penso ainda que no primeiro quesito ele e o roteirista poderiam ter se aprofundado mais.

Aparentemente está a acontecer uma epidemia de cegueira pelo país, e os primeiros casos além dos que tiveram contato com estes são mandados para uma quarentena sobre investigação. O número de grupos aumenta cada vez mais e a quarentena é isolada e vigiada pelos soldados. Uma mulher simples esconde que consegue enxergar perfeitamente e não fora ainda afetada pela ´´treva branca``. À medida que a convivência vai ficando insuportável e desumana, diante de mortes, estupros, fome, sujeira intolerável, e após um incêndio provocar a saída forçada pelo instinto de sobrevivência destes da quarentena a mulher que enxerga (mulher do médico) percebe não haver mais soldado algum por ali, além do portão estar aberto, e assim todos estarem livres. Juntam-se a um grupo ela, seu marido e mais 5 por quem se aproximaram (os primeiros casos na verdade), estes um casal, um homem de idade, um garotinho e uma bela jovem.

Assustam-se com o que sentem, e vê, a mulher do médico; todos estavam cegos e a cidade estava ao colapso, suja e acabada, sem energia e comunicação. Todos um bando de cegos a procurarem apenas por comida e buscando a sobrevivência, até quando esta poderia durar. Esta mulher então resolve guia-los e ajudá-los por ser a única aparentemente que podia ver, ver aliás a total desgraça e dependência humana. O livro é fantástico em todos os sentidos. Meirelles até tenta passar o mesmo drama humano que se sente no livro, mas falha em certos aspectos. Estudar por mais o interior dos personagens, dentre eles o rapazinho estrábico que é uma triste e sublime metáfora do livro, além de poder junto ao seu roteirista ter dedicado mais cenas que pudessem analisar mais detalhadamente os principais personagens, como por exemplo a não filmada (creio eu) parte do livro em que visita-se a casa de três deles.

Outro exemplo que pude retirar foi o fato do filme dedicar apenas uma cena a um dos personagens mais importantes do livro na minha opinião; o cão das lágrimas. Este cão por diversas vezes na obra de Saramago se mostra muito mais humano do que os próprios, e embora houvesse a muito bem dirigida cena em que este aparece pela primeira vez enxugando as lágrimas da mulher do médico mesmo assim não soa o bastante. Reparem inclusive como nessa cena enfatiza-se cães comendo um humano morto ao chão e logo depois passa este cão das lágrimas e em vez de se juntar aos outros caninos vai em direção à mulher. Seria ótimo então mais cenas como essa, e mais cenas de seus próprios personagens, seus peculiares como bem mostrado no livro. O final foi um pouco adiantado.

Mas nenhum desses problemas retiram o mérito do bom filme, aliás por algumas vezes Meirelles demonstra o drama humano do longa (como nas duas cenas da fogueira do casal) e o afasta de ser um grande épico cheio de aventura e terror. O filme é um ensaio sobre a cegueira, assim como seu livro, uma hipótese de como seria diante de uma sociedade tão burocrática e degradante como a qual nos encontramos hoje. Um grande aspecto da direção de Meirelles é a naturalidade passada nos seus filmes, e neste brilhantemente enfatizada nas todas ótimas cenas de humor. Bernal imitando Stevie Wonder? Ótima sacada do roteiro. Aliás a atuação de Bernal embora pequena é espetacular, ele interpreta um moleque, apenas um moleque que tenta se aproveitar por portar uma arma. Todo o elenco se comportou bem e soube com a ajuda de Meirelles passar a devida naturalidade e dramaticidade necessária para o filme, com maior destaque para Ruffalo e Alice Braga, além da eficiente mas não excelente atuação da Julianne.

Uma trilha sonora que para muitos possa soar impaciente, mas é uma verdadeira perfeição diante das cenas filmadas. A fotografia claríssima e a montagem confusa por vezes parecem exageradas, mas serve para demonstrar um pouco do mundo em que os cegos estavam enfretando. O filme é como seu livro um estudo dos cegos, dos cegos que já eram cegos, dos cegos que sempre foram cegos e nunca tiveram a capacidade de enxergar isto.

Cotação: 8.0

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A Vida dos Outros


Título original: Das Leben der Anderen
Ano de lançamento (Alemanha): 2006
Direção: Florian Henckel Von Donnersmarck

Na premiação do Oscar 2007 criei antipatia por este filme. Por quê ? - Pelo simples fato de desbancar a obra-prima mexicana ´´O Labirinto do Fauno``. Não poderia nunca imaginar este ocorrido, embora a previsão de alguns poucos analistas. Mas dando tempo ao tempo o que era antipatia acabou virando ansiosismo, na espera de poder logo conferir o longa, que recebia ótimas críticas, algumas até exaltando-o por ser melhor que o próprio filme de Guilhermo Del Toro. Assisti com ótimas expectativas e adorei. Superior a ´´Fauno`` jamais será, mas não vale a pena argumentar sobre a premiação. A análise do filme tem que de feita separadamente da justiça ou injustiça de que este fora submetido numa determinada premiação de cinema. Apenas uma rapidinha; o longa mereceu o Oscar, tem muita qualidade, mas não quando disputava com ´´O Labirinto do Fauno``, assim como ´´Onde Os Fracos Não Têm Vez`` também merecia sua estatueta dourada, embora constasse na disputa um longa claramente superior como ´´Sangue Negro``, e como aconteceu e continuará assim por várias e várias vezes.

Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) é um espião do serviço secreto contratado pelo governo da ex-Alemanha Oriental para investigar a vida do famoso e maior dramaturgo do país Georg Dreyman (Sebastian Koch), apesar de não haver nada de concreto contra ele, que era casado com a bela atriz atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck). Gerd coloca várias escutas no apartamento do casal e aluga um outro justamente à frente. Vigiados 24 horas por dia Gerd passa a conhecer o intímo e peculiar dos dois adultos, à medida que na tentativa de descobrir algo que possa incriminá-los, percebe a essência da vida amorosa e familiar diante dos conflitos do casal, sucumbindo numa incomum emoção afetiva gerada pelo espião e que transborda-se na curiosidade para em saber o que aconteceria com eles. Fato esse deve-se à vida solitária que Gerd levava (ilustrada brilhantemente no roteiro com a cena da prostituta) e diante daquela situação, reflete que seus únicos amigos intímos realmente eram Georg Dreyman e Christa-Maria.

O ponto forte do filme é esse, essa ironia apresentada no contexto da trama. Gerd contratado para fazer um serviço, acaba fazendo outro em virtude de uma amizade nunca alcançada e desde então desejada. Com um roteiro fantástico envolvendo política, vida familiar, violência e humor, o diretor Florian Henckel Von Donnersmarck comsegue com proeza passar toda a história de maneira densa, mas que nunca soe pesada para o espectador, e sim emocionante, tocante. A fotografia e montagem do filme são primorosas, dando a certa densidade e freneticidade momentaneamente usadas. E o que dizer das atuações, simplesmente espetaculares do início ao fim entre os protagonistas, desde do casal extremamente bem trabalhado demonstrando uma afinidade incrível até o carisma e também crueldade irônica de Anton Grubitz (Ulrich Tukur), como o porta-voz do ministro.

Mas não tenham dúvidas, o filme é de
Ulrich Mühe (infelizmente vítima de uma precoce morte pouco após o encerramento do longa). Sua atuação é simplesmente espetacular e sensacional. Sua capacidade em refletir do personagem a frieza, a solidão pessoal em que se encontrava, e a mundança repentina em busca de afeto, é altamente brilhante como a construção e o desfecho deste personagem no roteiro. Uma das atuações mais consistentes e dramáticas do ano de 2006. Enfim, ressalva algumas cenas complicadas com um tema político entre os próprios, a película é maravilhosa, transformando minha antiga e já sepultada antipatia em euforia.

Cotação: 9.0

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A Desconhecida


Título original: La Sconosciuta
Ano de lançamento (Itália/ França): 2006
Direção: Giuseppe Tornatore

Depois de uma leve ausência, estou de volta. É a velha praga de computadores que fizeram contra minha pessoa rsrs.

Sou imenso fã do diretor italiano Giuseppe Tornatore. Considero sua obra-prima ´´Cinema Paradiso`` como um dos meus favoritos. Sua grande capacidade em transbordar para as telas a beleza humana da vida e os pequenos valores sentimentais, abordados por um intenso drama familiar, são integrantes de suas características como vê-se em além de ´´Cinema Paradiso``, nos ótimos ´´Estamos Todos Bem`` e ´´Malena``. Todos filmes muito humanos e sensíveis que encantam o espectador. Há muito tempo anseio por assistir ´´A Desconhecida``, não digo que fiquei decepcionado durante as quase duas horas de projeção. Mas esperava mais de um Tornatore. E se o longa não adequa-se a um drama sentimental, muito menos funciona como suspense, mas chega a prender e despertar a curiosidade do consumidor acerca de uma história triste e chocante, que precisava ser contada.

Irena (Kseniya Rappoport) é uma ucraniana que se estabeleceu numa cidade italiana e começa a trabalhar num prédio vizinho ao seu, onde logo se torna babá e empregada de um casal e sua filha. Com rápidos e frenéticos flashbacks o passado de Irena começa a desenrola-se à medida que busca uma ligação com suas atitudes do presente, já que ela passa misteriosamente a investigar a vida desta família, onde tudo leva a crer, possui uma ligação com seu passado sombrio. Irena fazia parte de uma rede de prostituição onde era cruelmente destratada e humilhada pelo chefe. Numa intensa busca mistérios vão sendo revelados enquanto seguem-se os dias e aumenta a confiança da família na nova empregada.

É um filme muito frenético e complicado de ser feito. O roteiro possui muitas dúvidas e mistérios, dos quais quase todos são apresentados apenas nos minutos finais, sofrendo de pouco tempo para muita informação. Além disso, mesmo que com uma perseverante trajetória unida a uma intensa trilha sonora, o filme não consegue empolgar e passar o suspense almejado e necessário para a trama, o lado dramático instiga muito mais quem o assiste, concluindo-se que seria extremamente perfeito para este longa uma boa conciliação entre os dois termos.

Tornatore aborda uma narrativa não-linear e claramente preocupada na tentativa de chocar tanto no clima misterioso como nas – bem sucedidas – chocantes cenas que retratam o submundo degradante da prostituição. Mas ele acerta principalmente quando em conjunto com o roteiro e atores, deixa-nos a dúvida quase até o fim do que Irena realmente queria e qual era sua ligação com a família; vingança, acerto de contas, verdades e mentiras, enfim, contando com um final admita-se surpreendente na questão dramática, embora displicente com relação ao tom passado no resto da película. Não é um grande filme, eu esperava mais. Algo de grandioso são as ótimas atuações, principalmente da protagonista Kseniya Rappoport.

Cotação: 7.0

terça-feira, 29 de julho de 2008

A Época da Inocência


Título original: The Age of Innocence
Ano de lançamento (E.U.A): 1993
Direção: Martin Scorsese

Como muitos aqui sabem, sou fã fervoroso e declarado de Scorsese. Adoro desde seus clássicos memoráveis até filmes menos renomados e consagrados, mas não por isso menos elogiados. Sua filmografia é espetacular, muitos poucos diretores possuem tamanho acervo de obras de grande qualidade no currículo como ele. Tive uma enorme felicidade ao certo dia recentemente, numa videolocadora, avistar ´´A Época da Inocência``, um dos poucos filmes que faltava para que eu possa completar sua exemplar filmografia. Posso dizer que depois de tanto tempo, já sabia que iria simpatizar com o filme, já que nunca deixaria de gostar de nenhum de seus filmes, nos vários a que assisti. Grande conhecedor de Nova York, Scorsese demonstra um estudo diferente da cidade dos seus demais filmes, ora pela época ora pelo enredo apresentado na trama. Mas suas características incomparáveis são claramente presentes nesta obra.

Nova York, 1870. Newland Archer (Daniel Day-Lewis) é um advogado da alta sociedade aristocrática que como quase todos se submete as tendências e costumes de modo inquestionável que a sociedade impunha. Ele irá se casar com May Welland (Winona Ryder), uma bela jovem meiga e inocente admirada pela responsabilidade de compromisso com os costumes e atitudes da época. Mas após conhecer a Condessa Ellen Oneska (Michelle Pfeiffer), uma mulher linda que havia se separado de seu marido e voltado da Europa, ele começa a sentir desejo e um amor incontrolável e involuntário, contra a sua vontade, que ele nunca esperava sentir, por ninguém menos que a prima de sua noiva. Sendo discriminada pela atual sociedade americana pelos seus ideais liberais na época, ela recebe a ajuda de Archer que tenta defendê-la, devido ao seu amor incontrolável e que passa aos poucos a ser correspondido pela Condessa, chocando-se com as tendências e pensamentos atuais, e chocando-se acima de tudo com a índole de si mesmos.

Com esta trama temos a oportunidade de analisar toda a estrutura da sociedade americana da época, algo bastante similar com ´´Amacord`` de Fellini, mas este logicamente mais cômico. E ninguém melhor que Scorsese para fazer isso. Mais uma vez a narrativa de seu filme conduz a obra, dando-nos uma maior percepção do que estava ocorrendo. Outro ponto fundamental para o perfeito entendimento da obra são os célebres plano-sequências do diretor, aqui muito bem elaborados e realizados, servindo acima de tudo para conhecer os vários personagens da história, quando este junta-se à narrativa. Outro do qual sou fã incondicional é Daniel Day-Lewis e aqui ele faz um dos seus melhores trabalhos. Seu personagem sente um desejo que ele mesmo tenta barrar e impedir que se realize, e percebemos isso através das feições que ele transpõe para a tela (destaque para a cena onde ambos declaram-se un para o outro e tentam lutar e lidar com este sentimento ao mesmo tempo). Michelle e Winona também não deixam por menos, são ótimas, mas diante de Lewis são ofuscadas.

Para os impacientes e menos interessados pode soar um pouco chato e monótono (que é em algumas cenas), mas é um filme calmo e tranquilo com uma poeticidade incrível. Essa poeticidade é também atingida pela trilha sonora e fotografia lindissímas (a cena do píer é sublime na unidão destas duas). Ótimos figurino e direção de arte dando uma verídica imagem da época. Para os fãs ou não de Scorsese, recomendo sem dúvidas.

Cotação: 8.5


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Juventude Transviada


Títulgo original: Rebel Without a Cause
Ano de lançamento (E.U.A): 1955
Direção: Nicholas Ray

James Byron Dean; James Dean, tornou-se um dos maiores ícones da história do cinema em um período curto de dois anos, fruto de apenas três grandes clássicos da época: ´´Vidas Amargas``, de Elia Kazan, ´´Assim Caminha a Humanidade``, de George Stevens e ´´Juventude Transviada`` de Nicholas Ray, este considerado por muitos o melhor deste brilhante ator, o filme que define exatamente o que fora James Dean para o mundo. Ele foi o representante dos jovens cansados e inconformados com o sistema de regras e mudanças a que eram submetidos, revoltados e oprimidos, verdadeiros incompreendidos. Portanto este filme demonstra o que foi James Dean, e que após sua infeliz, trágica e precoce morte, o transformou quase que em um símbolo. A sensação que tive ao assistir seus três grandes filmes foi a mesma que tive ao assistir o último filme de Heath Ledger ´´Batman - O Cavaleiro das Trevas``, resolvi então homenageiar Dean ao lembrá-lo e por ter visto recentemente ´´Vidas Amargas```.

Jim Stark (James Dean) é um jovem problemático. Fez os pais se mudarem para várias cidades, devido às confusões do rapaz, até fixarem-se em Los Angeles. Lá Jim é preso em plena madrugada por embriaguez de desordem. Na delegacia ele conhece Judy (Natalie Wood) e Platão (Sal Mineo) e é liberado por um policial que compreende a situação de Jim na casa em que vive, recebendo amor superficial dos pais e cansado da maneira sbumissa como sua mãe trata seu pai. No dia seguinte ele vai à escola e tenta se aproximar de sua vizinha, a própria Judy, no caminho. Logo arranja encrenca com Buzz (Corey Allen), namorado de Judy e líder de uma gangue do colégio, que provoca Jim até seu limite e os dois partem para uma briga de faca. O único amigo de Jim é Jhon Crawford, conhecido como Platão (aparentemente obcecado pela amizade de Jim), o qual Jim também havia conhecido na delegacia e que o acompanha até as montanhas da cidade onde fora marcado entre Jim e Buzz um ´´pega`` de carros.

Com o objetivo de adquirir mais respeito e ganhar atenção de Judy ele vai e durante a disputa (cena clássica do cinema) algo acontece, que mudará o rumo e trará trágicas consequências àqueles jovens. Este filme em si é revolucionário, representa até hoje a rebeldia e a liberdade almejada pelos jovens. Jim não era um garoto revoltado por ser pobre ou miserável, sua rebeldia surgia do seu próprio meio, surgia por ser jovem e precisar voltar-se contra algo, como diz o próprio título em inglês: ´´Rebel Without a Cause``; rebelde sem causa. Seu mundo era o suficiente para transformá-lo num rebelde. Por isso James se tornara uma lenda, ele fora o incompreensivo e detentor das inúmeras vozes de inconformistas da época, queria apenas curtir e livrar-se dos problemas que o cercavam.

As atuações na obra são impecáveis. Dean dispensa mais comentários, sua morte toma dimensões tão absurdamente trágicas quando percebemos o ator que estava nascendo dentro dele, como muitos apontam ele seria um novo Brando. Natalie Wood incorpora uma perfeita patricinha da época enquanto que Sal Mineo faz o tipíco excluído e rejeitado, que ao encontrar um amigo transborda-se na loucura insana entre felicidade e delírio. A direção de Nicholas Ray foi extremamente detalhista e forçamente trabalhada, dá ao filme um universo veridicamente jovem e concreto, na medida em que os personagens ganham formas cada vez mais reais e presentes na nossa sociedade. Um filme exemplar e perfeito para estudar o comportamento dos adolescentes, que são na verdade em sua grande maioria, rebeldes sem causa.

Cotação: 9.0

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O Filho da Noiva


Título original: El Hijo de La Novia
Ano de lançamento (Argentina): 2001
Direção: Juan José Campanella

Não possuía muito conhecimento do cinema de nossos hermanos como do cinema mexicano e claro brasileiro na América Latina, até conferir o belo e emocionante El Hivo de la Novia. Um filme que despertou meu interesse quanto às produções feitas pelos nossos vizinhos, e que desde já quando surge a oportunidade procuro assistir a uma película argentina. Integrante deste grande celeiro do cinema latino-americano muitos consideram o cinema argentino como o melhor do continente, o que na minha peculiar opinião não confere, pois considero o cinema mexicano e acima de tudo brasileiro (sem patriotismo) superiores a esses ´´pernas de pau`` rsrsrs. Isso tiraria o mérito das grandes películas feitas no país ? Logicamente que não.

Ao menos algo que se destaca como o melhor lá é o seu grande e excelente ator Ricardo Darín, sem dúvidas o melhor ator latino junto com Gael Garcia Bernal, além de claro possuir um dos melhores diretores tal como Juan José Campanella. A união destes grandes profissionais resume o que há de melhor no cinema argentino atual, com filmes de grande qualidade e toques humanos e emocionais semelhantes aos filmes europeus. O Filho da Noiva é um claro exemplo disso; uma história simples com pessoas simples, mas que entristece, emociona e encanta ao espectador, não somente pela simplicidade, mas também pela suavidade da trama.

No longa Rafael Belvedere (Ricardo Darín) é um rapaz que sofre de crise, por está encarregado de muitas responsabilidades e preocupações acerca do seu trabalho, no qual é dono de um bem sucedido restaurante, herdado de seus pais. Devido ao trabalho ele mal tem tempo para sua filha, esquecendo a garota na hora do lazer e voltando-se ao trabalho. Sua atual namorada faz de tudo para chamar a atenção e agradar Rafael, sempre sem sucesso. Rafael quase não visita sua mãe Norma (Norma Aleandro) numa clínica, que sofre de alzheimer e vai perdendo a memória, e tem frequentes brigas e desentendimentos com seu pai. Quando sofre um ataque cardíaco que por pouco não tirou-lhe a vida, Rafael passar a perceber a importância de todos seus entes queridos à sua volta e quando Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de infância o visita, ele passa com a ajuda deste a reconstruir seu passado e modificar seu presente.

Eis que surge então a ousada idéia de Rafael; realizar o grande sonho de sua mãe, que era casar-se com seu pai na Igreja e com a ajuda de todos ele vai alcançando-o descobrindo um novo rumo para sua vida. Ricardo Darín está como sempre espetacular, ele consegue refletir para nós espectadores os momentos sentimentais nas diversas fases do personagem, mais emocionante ainda nos últimos minutos do longa onde podemos ver seus olhos brilhando, como se aquilo tivesse sido a maior realização de sua vida, e talvez fosse, pois seria o renascimento de Rafael, agora mais concentrado no que realmente interessava. Eduardo Blanco está ótimo como o amigo brincalhão e deprimido com o passado de sua filha. Norma Aleandro sobra em cena, simplesmente perfeita todas as cenas em que aparece, demonstrando e passando-nos a verdadeira ângustia e crueldade de uma doença como essa.

Um roteiro fantástico com dramaticidade, humor e poeticidade mantidos no mesmo equilíbrio que tornam o filme divertido e emocionante. A direção é criativa e mantém o espectador sempre preso à história do longa, obtendo o máximo dos atores para que assim possamos torcer por eles. E a cena do pedido de casamento ? Nossa... impossível não chorar nesta cena rsrsrs. Se os argentinos não jogam bola como nós, ao menos fazem um cinema decente, mais do que isso, excelente.

Cotação: 9.0

domingo, 29 de junho de 2008

Medo da Verdade


Título original: Gone Baby Gone
Ano de lançamento (E.U.A): 2007
Direção: Ben Affleck

Baseado no romance do aclamado autor de Sobre Meninos e Lobos, Medo da Verdade é mais uma história de violência, crime e pecado no cenário norte-americano onde procura-se o imprevisível e inesperado, clichês do gênero, mas que em muitos desses filmes acabam se tornando memoráveis e certamente imprevisíveis como o objetivo a ser alcançado. E se Medo da Verdade não é uma obra-prima de suspense e mistério envolvente como ´´Hitchcock movies`` ou algo parecido, ao menos é uma boa tentativa de chocar e fazer uma reflexão sobre a atual sociedade, que torna o filme bastante interessante e satisfatório dentro do possível.

Na sua estréia como diretor Ben Affleck demonstra possuir um talento certamente mais promissor do que sua carreira como ator. Embora tenha atuado bem em alguns bons filmes de sua carreira, não sou muito fã do ator. Aquele ´´Sobrevivendo ao Natal```, que ridículo. Se ele se esforçasse um pouco mais poderia até engrenar e se superar, algo que ele fez na sua iniciante carreira de diretor com este primeiro filme. Affleck tem uma direção bastante segura para seu primeiro filme, bastante consciente de tudo que está acontecendo na película, e embora não acrescente nada de exuberante ao longa mantém o clima de suspense, periférico e familiar, necessários no desenrolar de uma história como essa.

Patrick Kenzie (Casey Affleck) e Angela Gennaro (Michelle Monaghan), dois detetives especializados em procurar pessoas desaparecidas são designados pela tia de uma menina que fora misteriosamente desaparecida, filha de uma mãe prostituta e viciada Helene McCready (Amy Ryan). Sendo auxiliados pela polícia através de Jack Doyle (Morgan Freeman) e do detetive Remy Broussard (Ed Harris), os dois detetives (namorados) acabam descobrindo e solucionando fatos terríveis sobre o verdadeiro paradeiro da pequena garota desparecida, devido ao fato de Patrick conhecer o pessoal do bairro e ter contato com vários indivíduos que poderiam ter alguma informação.

Um pouco exagerado em algumas cenas, principalmente no início, o irmão de Ben (Casey Affleck) pode vim a ser um melhor ator do que seu irmão, e o exagero ao longo do filme é deixado de lado não comprometendo em nada o longa. Amy Ryan, pouco conhecida, tem uma ótima atuação no papel de uma mãe idiota e viciada que parece não dar a miníma para a filha e nos faz sentir repugnância daquele personagem imaturo, infantil e inconsequente. Morgan Freeman, o melhor e mais veterano do longa, não acrescenta nem compromete nada. Mas na minha peculiar opinião quem se destaca e rouba a cena é mais uma vez Ed Harris, impressionante a estabilidade deste talentossíssimo ator, um dos melhores em atividade.

Com um roteiro bastante complexo e misterioso, o filme tenta ser imprevisível até o momento em que o imprevisível torna-se previsível e sabemos o que deve acontecer em seguida, mas este fato ocorre já bem próximo ao final e não chega a prejudicar o suficiente para estragar o longa. Além do suspense natural colocado no filme, temos uma dramaticidade bem rica em detalhes, seja na vida familiar, no crime ou na inocência e valiosidade de uma criança, onde no momento em que passamos com o caso Isabela e outros similares nos levam a pensar naquela velha, antiga e famosa frase, além de um pouco clichê: Aonde nós vamos parar ?

Direção segura, ótimas e médias atuações, roteiro natural e convincente, fotografia e montagem excelentes que tornam o filme ainda mais atrativo. Pode não ser um grande filme, mas com certeza é um filme que faz pensar e refletir sobre a realidade atual e que merece um certo destaque e enfoque.

Cotação: 7.5

domingo, 22 de junho de 2008

No Vale Das Sombras


Título original: In The Valley of Elah
Ano de lançamento (E.U.A): 2007
Direção: Paul Haggis


Desculpem pela demora. Mas agora de computador novo e férias da faculdade serão mais de dois ou três posts por semana, juro ! rsrsrs

No seu segundo filme como diretor Paul Haggis mostra mais uma vez um certo talento e um futuro bastante promissor quanto
à sua carreira no cargo de direção. Depois de Crash (vencedor do Oscar de melhor filme, embora não altamente merecido), ele nos traz mais recentemente uma alusão crítica a Guerra do Iraque, retratada como apenas um elemento a mais no filme, mas como o mais importante e causador de tudo que acontece com seus personagens. Embora possua um inicio meio monótono (talvez por ser apenas explicatório sem apresentar respostas à trama), esse é extamente o que o filme fica longe de ser no desenrolar da história. Algo muito trabalhoso e difícil de ser alcançado em filmes longos como esse.

No longa, logo na primeira semana após voltar do Iraque, o filho de
Hank (Tommy Lee Jones) e Joan (Susan Sarandon) desaparece e é considerado foragido do exercito. Após saber do caso Hank, ex-policial militar e veterano do Vietnan decide partir em busca de seu filho. Quando o corpo do jovem é encontrado totalmente carbonizado e desfigurado Hank se junta a investigadora Emily Sanders (Charlize Theron) para descobrir quem teria feito aquilo. Na medida em que os dois vão solucionando os fatos, passam a se ver dentro de um crime no qual teriam que enfrentar o alto escalão militar para desvendarem o caso.

A direção madura e persistente de Paul Haggis faz com que os atores possuam liberdade nas cenas e embora não haja nada demais nas atuações de Charlize Teron e Susan Sarandon (desperdiçada no longa) é Tommy Lee que arranca elogios com sua atuação mais do que excelente, mas também fruto do trabalho talentoso do ator. Como percebe-se facilmente no filme, o personagem de Tommy Lee raramente se deixa abater pelo que esta acontecendo, ele encara tudo de cabeça erguida e com o choro preso na garganta e nos olhos. Tommy Lee nos passa de maneira triste, revoltante e oculta os sentimentos do personagem.

A
crítica a guerra é claramente refletida através dos vídeos do celular do filho, no qual ele consegue recuperar, e vê seu próprio filho torturando iraquianos junto com todos os outros. O filho dele poderia não ser uma pessoa má, mas a guerra o transformou naquilo que se vê e se acha completamente normal em tempos de guerra. Como combatente do Vietnam Hank acha certa a Guerra do Iraque, mas à medida dos acontecimentos e das verdades virem à tona ele passa a refletir e discordar da guerra.

Num final onde se mostra claramente a discordância de Hank com o estado atual de seu país, bastante similar com a história da mulher que perdeu o filho na Guerra do Iraque em Farenheith-11 de setembro, de Michael Moore. Ela que antes apoiava todas as guerras dos E.U.A e inclusive teve vários de seus parentes nas outras guerras anteriores, ficou bastante revoltada e oposicionista ao governo após seu filho ser morto.

Filme superior a Crash e que mostra a ascensão do diretor Paul Haggis, além de demonstrar uma clara preocupação dos americanos do Iraque, como se vê em vários longas, curtas e documentários.

Cotação: 7.5