sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button


Título original: The Curious Case of Benjamin Button
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: David Fincher

Diretor extremamente talentoso, David Fincher vem assinando projetos dos mais procurados e aclamados em Hollywood, tanto no seu último longa (o esnobado e injustiçado pelas premiações ´´Zodíaco``) como agora na sua mais nova obra, novamente aclamada pela crítica e finalmente embarcando nas principais premiações, com grandes chances de ser o vencedor do Oscar. Adaptado do conto de F. Scott Fitzgerald (que você lê em inglês aqui) o longa conta a fantasiosa e belíssima história de Benjamin Button, um homem que nasceu com as feições e depedências físicas de um idoso, mas que ao passar dos anos, estranhamente começa a rejuvenescer e ganhar aspectos e qualidades cada vez mais joviais, à medida que vive de encontros e desencontros com o amor de sua vida. Dentre os longas da temporada do Oscar este é sem dúvidas um dos trabalhos mais brilhantes, para mim ficando bem pouco, mas bem pouco mesmo, atrás apenas de ´´Slumdog Millionaire``, de Danny Boyle.

No fim da Primeira Grande Guerra o senhor Thomas Button (dono da frábrica de botões) estava aflito. Sua mulher estava prestes a ter seu filho no parto. Não resistindo ela morreu e fez o marido prometer que ele cuidaria da criança, mas ao ver o recém-nascido o Sr. button assustou-se, vira uma deformação, ´´um bebê de aparentemente mais de 80 anos de idade``. Não conseguindo matá-lo abandonou o filho, deixando-o num abrigo de idosos, onde fora achado por Queenie (Taraj P. Henson), uma funcionária do abrigo e que passou a cuidar do estranho bêbe. Diferente do que os médicos previam, Benjamin Button (Brad Pitt) ao invés de morrer logo, foi ficando cada vez mais novo, forte e virtuoso, chegando a conhecer uma garotinha bem nova, chamada Daisy, da qual logo ficou grande amigo. Quando Benjamin sentiu-se capaz de deixar sua casa e sua mãe adotiva, decidiu sair afora e ver o que o esperava. Enquanto ficava mais jovem, conhecia novas pessoas, novos lugares, e ia inclusive à guerra, nunca chegou a esquecer Daisy, até que um dia, quando este retornou, ambos se encontraram, e passaram a viver sua fabulosa história de amor, repleta de decepções, controvérsias, e encontros e desencontros, à medida que ambos envelhecem e Benjamin se torna cada vez mais jovem aos olhos da cada vez mais velha Daisy.

Com qualidades técnicas espetaculares, esta se torna uma obra do conjunto, onde percebemos a total importância de qualquer um que seja seu quesito. A maquiagem e os efeitos especiais são fantásticos e necessariamente realistas, acompanhados de uma direção de arte perfeita e uma fotografia primorosa, passando de maneira inteligente o clima da época. A montagem ganha um aspecto primordial na passagem de tempo, fazendo com que o personagem sempre entre em concordância com o espectador, e sempre matendo um bom ritmo nas demais fases da vida de Benjamin, enquanto como uma grande ironia e antítese envelhece e rejuvenesce. A trilha de Alexandre Desplat nada mais é do que esplêndida, maravilhosa em todas suas melodias, romântica, divertida, engraçada e poética. Aliás poesia seria o principal elemento a ser descrito no longa. Afinal de contas Eric Roth praticamente reinventa a história e faz um roteiro muito mais completo, abrangente e realista, além de mudar o rumo da trama, de maneira que a faz muito superior ao próprio conto em que esta foi inspirada (seria um roteiro muito mais original do que adaptado).

Quando afirmo que poesia seria o quesito essencial a adotar no longa não minto. Isso deve-se a todas as qualidades ressaltadas anteriormente, mas sobretudo e com extrema relevância ao trabalho feito pelo seu diretor David Fincher. Fincher utiliza desses aspectos e faz do filme poesia pura. Sua direção poética se torna clara desde do início, quando adotando uma concepção de fábula, ele introduz fantasia e realidade juntas, lado a lado, tristeza e alegria, diversos momentos cômicos (todos membros de um belo humor poético), além do estudo e desenvolvimento intenso dos seus personagens. Outro ponto importante na sua direção foi nunca deixar a fita se tornar cansativa, mesmo com suas longas quase 3 horas de projeção, e isto deve-se ao seu estilo de filmagem, inteligentemente adotado com os devidos aspectos ditos acima sendo conciliados e usados, além de logicamente das atuações fantásticas de todo o elenco. Blanchett passa a mesma dramaticidade em sua personagem desde adolescência até sua idade avançada, prestes a morrer em uma cama de hospital, enquanto Tilda Swinton e Taraj P. Henson representam com enorme facilidade a importância de suas personagens na vida de Button.

Mas é Pitt quem, junto com Fincher, se destaca no longa. Sua atuação é incansável e irresistível, parece que a poesia da trilha, das qualidades artísticas, técnicas e sonoras, do roteiro de Roth e claro da direção de Fincher, penetraram na brilhante atuação do super talentoso ator. Pois lembremos, que é dele uma função indispensável; carregar todo o drama da obra nas suas costas, por quase o filme todo. Enfim ´´O Curioso Caso de Benjamin button`` , merece todos os prêmios possíveis, e embora por um pouquinho a mais, eu ainda prefira ´´Slumdog Millionaire`` ficaria muito triste ao ver Benjamin Button perdendo o Oscar. Portanto torceria para uma vitória de Boyle em direção (que consegue ser superior a Fincher) e talvez num dos dois para levar Best Picture, podendo ainda Brad Pitt ser lembrado por sua brilhante e memorável atuação. E que viva o mundo da poesia, que esta obra única resgata com louvor, se aproximando muito e por pouco não chegando a ser o que chamamos de obra-prima.

Cotação: 9,8

12 comentários:

- cleber ! disse...

Ainda bem que o pessoal tá gostando, só vi coisas negativas do filme !

Kau disse...

Aeeee, mesma nota e mesmas impressões!! Hahahahahahaha.

Belíssimo filme, mas discordo de uma coisa: não achei a atuação de Brad tão boa quanto você. Como disse, o filme é quase da Cate... rs

Abraços!

Fifeco disse...

Uma obra-prima sem qualquer margem para dúvidas.

Sérgio Déda disse...

Cléber... onde vc viu isso?... só vejo críticas extremamente positivas do filme.

Kau... hehehhe foi mesmo... tb adorei a atuação de Cate.

Fifeco... Acho que quase chega a ser uma obra-prima, ou pode ateh ser mesmo para outros, mas claro com razão.

Vinícius P. disse...

Fico cada vez mais ansioso por esse filme, afinal todos estão falando super bem sobre ele! Mesmo um tanto ocupado com o Blog de Ouro, talvez veja amanhã. Abraço!

Fabio Nascimento disse...

Ótimo texto, também gostei muito do filme e gostei bem mais do Pitt do que da Blanchett (que estava correta apenas).

Já add seu blog no blogroll.

Abs,

Denis Torres disse...

O filme é ótimo e espero que tenha destino melhor nas premiações, pois merece muito. Assim que comecei a assistir este filme me lembrei do formato de Forrest Gump em algumas partes, mas o formato aqui é crível e não há forçação de barra. Quando vi o nome do roteirista Eric Roth nos créditos entendi o porque. Brad Pitt está bem, mas não está sensacional e como disse no meu blog, se ele fosse um pouco melhor na sua atuação levaria o Oscar facilmente. Abs.

Wally disse...

Primeiro: ta excelente o visual do blog!

Segundo: to morrendo de vontade de ver este filme. Vou amanhã!

Ciao!

Sérgio Déda disse...

Vinicius... não perca tempo... corra logo pro cinema hehehe

Fábio... valeu por adicionar.

Denis... talvez o Brad poderia ter se saído melhor sim, mas sua atuação não deixa de ser memorável e sensacional para mim, certamente merecedora do Oscar.

Wally... valeu pelo elogio... créditos a Marcel, que fez o layout de Goodfellas no cabeçalho, e para combinar mais mudei a cor do plano de fundo e do texto hehehe.

Matheus Pannebecker disse...

Gostei bastante, mas não tanto quanto a maioria. No filme destaco a fabulosa maquiagem, o desempenho de Pitt e a linda trilha de Alexandre Desplat.

Marcel Gois disse...

Excelente filme, por enquanto é o meu preferido da temporada. No geral é mais de técnicas do que de atuações, nao me espanta que não venha levando quase nada nessas categorias nas premiações, apesar dos atores talentosos o que rouba a cena mesmo é a parte técnica, maquiagem, fotografia, efeitos, a trilha excelente, a edição e até o roteiro, q aliado a edição mantem o ritmo do filme..

jacker disse...

Although from different places, but this perception is consistent, which is relatively rare point!
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