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domingo, 28 de dezembro de 2008

A Família Soprano - 1° Temporada


Filmes de máfia são em súmula meus favoritos, principalmente quando dirigidos por um Scorsese, Coppola, Tarantino ou protagonizados por um Pacino ou DeNiro. Explica-se facilmente o motivo de obra-primas como a franquia ´´O Poderoso Chefão´´, ´´Os Bons Companheiros``, ´´Cassino`` e até ´´Pulp Fiction`` consolidam-se entre alguns dos melhores longas que tive o prazer de assistir. Por esse e outros motivos sempre tive enorme vontade de acompanhar uma das séries de TV mais comentada de todos os tempos, A Família Soprano, não só por ser um grande fã do gênero, mas por ter a convicção de que a sutileza de Coppola, a frenética naturalidade humorística e realista de Scorsese, e por fim o humor negro de Tarantino, estariam presentes no seriado. E por mais impressionante que possa soar, The Sopranos consegue tudo isso e muito mais, ou seja, temos tudo o que já vemos nos grandes filmes de máfia e ainda um ingrediente a mais que torna a vida desses bandidos mais humana aos nossos olhos, a intimidade pessoal e familiar de quase todos seus principais personagens.


Tony Soprano (James Gandolfini) é um dos nomes mais conhecidos na máfia italiana local, tendo que dividir entre sua ´´profissão`` e sua vida familiar, com sua esposa Carmella (Edie Falco), seus dois filhos Anthony Jr e Meadow, sua egoísta, severa e idosa mãe Livia (Nancy Marchand) além de seu tio Conrado Junior Soprano (Dominic Chianese), também integrante da máfia de New Jersey, e por último seu sobrinho desmiolado Cristopher Motisianti (Michael Imperioli), este escolhido por Tony para trabalhar ao seu lado, já que ele se mostra louco em ter reconhecimento local dos mafiosos e dos jornais. Não sabendo conciliar as duas correntes Tony acaba por ter uma crise e passa a ser vítima de diversos desmaios. Eis então que é aconselhado a procurar ajuda da psiquiatra Jennifer Melfi (Loiranne Bracco), passando a ela o seu dia-a-dia e seu relacionamento entre a família e nas entre-linhas, sobre seu trabalho.


Através desse estilo um pouco incomum entramos no mundo e na intimidade de Tony Soprano, um homem que mata seus inimigos sem qualquer problema, fala ´´fuck`` em cada frase que sai de sua boca, mas quer seus filhos dentro de uma faculdade e os reprime se falam ´´fuck`` em qualquer situação que seja. Se for me aprofundar nos personagens o texto ficará muito extenso, pois The Sopranos dá ênfase a todos e trata-os como pessoas comuns, que enfrentam sua vida como uma maneira de ser, uma simples função na sociedade. A Primeira Temporada preocupa-se claramente no estudo de todos os personagens da trama, à medida que vai desenvolvendo-os junto com seus conflitos, em destaque para a luta de poder não declarada ( quase uma guerra fria) de Tony contra seu próprio tio Conrado Junior, este ajudado por ninguém menos que a mãe de Tony, após a morte do antigo chefão Jackie Aprille , deixando a vaga aberta para seus capos. Em todos episódios damos boas risadas, vemos um discurso político ou cultural, e sim, muita violência, assassinatos, espancamentos e ´´fucks``. Este seriado retrata com proeza e um detalhismo impressionante o mundo da máfia e mesmo se inspirando nos grandes filmes citados no início (em muitos episódios os próprios personagens lembram desses filmes), a série não perde sua originalidade.


Com atuações impecáveis, principalmente James Gandolfini soberbo, que após cometer um assassinato, incrivelmente ainda temos simpatia e ´´torcemos`` por ele. Este talvez seja o seriado que entrará no topo da minha lista, provavelmente dividindo espaço com o inesquecível ´´Anos Incríveis``. Quanto tempo eu perdi não assistindo, mas agora o erro foi consertado e estou completamente viciado.Se nunca assistiram recomendo a todos, The Sopranos é um estudo psicológico e social sobre um mundo de princípios baixos e valores exdrúxulos, cada episódio conhecemos mais sobre a máfia ítalo-americana.