quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Quem Quer Ser um Milionário?


Título original: Slumdog Millionaire
Ano de lançamento (E.U.A/Inglaterra): 2008
Direção: Danny Boyle

Há 4 ou 5 meses atrás quase ninguém apostava num tal de ´´Slumdog Millionaire`` nas principais categorias do Oscar (inclusive eu). Hoje, favorito absoluto e com expressivas 10 indicações, o filme deve ser o grande vencedor do 81 th Academy Awards levando a dobradinha filme-diretor. E por quê o motivo de tamanho sucesso surgir de maneira repentina e avassaladora? São tantos que com certeza esquecerei algum nesta resenha, mas um resumo bem específico exemplifica: ´´Quem quer ser um milionário?`` é um conto dos tempos modernos, uma fábula imaginária e realista da nossa época, a inclusão de pessoas comuns que passam por situações tristes, terríveis, degradantes e possuem força de superação para irem atrás de seus objetivos, sendo este nada menos que um amor perdido e eterno. Quem não gosta disso? Transcedendo a enorme beleza estética da trama temos Danny Boyle, que faz sem dúvidas um dos trabalhos de direção mais magnifico e inovador dos últimos anos. Tudo visto em tela é fruto do desempenho sublime deste super talentoso e brilhante diretor.

Jamal Malik (Dev Patel/ Tanay Chheda/ Ayush Mahesh) é um pobre favelado de Mumbai, na Índia, aparentemente um rapaz sem muita educação formal. Mas num programa telvisivo de sucesso (tipo um ´´Show do Milhão``) ele estar a uma pergunta de conseguir o prêmio máximo. Como ele conseguiu chegar até aqui? Trapaceou? Sortudo? Gênio? Destino? Mandado a uma sala de interrogátorio ele é torturado por militares e obrigado a esclarecer como o fez (já que ninguém acreditava num favelado para o prêmio máximo). Jamal então assiste junto com o militar uma fita contendo o programa do qual ele participou e todos verão como ele respondeu às perguntas, começamos através dessa narrativa totalmente complexa e diferente a entrarmos no mundo de Jamal, pois acontece que as perguntas do programas quase todas possuiam alguma ligação com os principais acontecimentos da triste história de vida do garoto e passamos por sua infância, adolescência e fase atual, à medida que o verdadeiro motivo dele participar do programa é revelado. Tudo por amor, o amor eterno que por motivos e ocasiões trágicas ele nunca pode ter, o amor de sua companheira de infância Latika (Freida Pinto/ Tanvi Ganesh/ Rubianna Ali), atrapalhado inclusive pelo próprio irmão de Jamal, Salim (Maduhr Mittal/ Ashutosh Lobo/ Chirag Parmar).

Uma definição do longa nos dias atuais onde o cinema mundial passa por uma crise de originalidade é esta: o filme é diferente e portanto, original. A começar pela narrativa nada convencional empregada na trama. Misturam-se presente (Jamal no interrogatório) e passados distintos (Jamal no programa, Jamal criança, jovem e adulto), todas ligadas entre si e apresentando uma conexão importante na vida simples e triste do garoto, fazendo do roteiro de vai-e-vêm um primor de objetividade, em momento algum tornando-se confuso. Claro que por este aspecto da trama nunca cair em desentedimento com o espectador valorizamos a brilhante e melhor montagem da temporada, que mantém a mesma conectividade presente no texto do longa e liga as fases de maneira rápida, frenética, mas sempre precisa e coerente, sendo este o principal elemento técnico da fita. Além disso temos uma fotografia eficiente no exercício de sua função, já que como o longa coloca-se como um conto, uma fábula, a fotografia transborda em cores vivas e fortes nas mais diversas fases da história, e impressionante como este trabalho cinematográfico vai sempre evoluindo, como se estivesse acompanhando a evolução não só da própria trama, mas de Mumbai em si.

A trilha de A.R. Rahman é fantástica, sublime e precisa em todas suas faixas. Alterna entre momentos de tensão, romance e a própria fábula em si, destaque para as faixas ´´Riots`` e ´´Mausaum and escape``. Ajudada este pela perfeita união e composição entre a qualidade sonora do longa, a edição e mixagem de som são de perfeito encaixe para a composição sentimental do longa. E por quê atores desconhecidos e sem muita experiência como Patel, destaque entre as atuações (carrega boa parte do drama para si próprio), Pinto e todos os outros, principalmente as espetaculares crianças, obteram um desempenho tão acima da média, levando-os a um status de gente grande? A resposta é Danny Boyle, a resposta de tudo é Danny Boyle, o diretor nos oferece um trabalho primoroso, sensacional, instigante e acima de tudo super cativante. Aliás este fora o principal mérito da sua direção; conseguir cativar o espectador de maneira convincente e inovadora como este o fez.

O único que não vi de sua filmografia ainda é ´´Caiu do Céu``. Do resto podemos perceber o fascínio de Boyle em pegar pessoas comuns, submetê-las a situações inusitadas e inesperadas e ao estudarmos o peculiar de cada uma delas, percebemos que nem o personagem nem nós mesmos (meros espectadores) sabemos o que este virá a fazer em seguir. Vemos isso bastante no seu primeiro longa ´´Cova Rasa`` e até em filmes com tramas apocalípticas tais ´´Sunshine`` e ´´Extermínio`` encontramos essas características. Ao nos cativar com uma história triste e miserável de Jamal ele consegue levar o personagem a status de herói, um herói comum em carne e osso, e isso é algo que Jamal nunca pensou nem considera ser. Outro grande ponto como já afirmado antes foi a condução de elenco feita pelo diretor, necessitando de um trabalho mais especial e cuidadoso nesta área. Utilizando clichês ele praticamente os elimina de forma inteligente, já que os transforma em mais um elemento da fábula passada e permitindo que um possível momento superficial passasse longe da cena. E embora utilize de recursos conhecidos uma contraste positiva na sua direção é a sua maneira de inovar, usando um estilo de câmeras em posições e cores diferentes. Misturando e equilibrando tensão, aventura, romance, comédia, fábula, o diretor nunca perde o foco da trama e mantém a mesma importância e curiosidade o espectador acerca de cada fase da vida de Jamal, sabendo conduzir o mesmo ritmo em duas horas de projeção. Enfim, de um trabalho brilhante nunca lembramos de tudo que gostaríamos, então irei parar por aqui.

E outra pergunta. Por quê comentei tanto de cada aspecto preciso e detalhado da fita? Porque na minha opinião uma obra-prima é aquele filme do conjunto, onde unindo todos seus aspectos obtêm-se o resultado, uma obra para ser assistida de maneira detalhada. Portanto posso afirmar, e são poucos ultimamente que entram nessa lista, que ´´Quem quer ser um milionário?`` é uma obra-prima e desde já minha torcida para o Oscar, num ano em que a lista de indicados foi no geral fraca, ao menos meu preferido do ano será o possível vencedor.

Cotação: 10

Torcida no Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Canção (Jai-ho).
Que pena não ser candidato: Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel).

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Filmes do Oscar: O Lutador, Milk e Frost/Nixon

Ficar sem postar na época do Oscar é chato mesmo hehehe, mas tentarei o possível. Ah! Devido a premiação o BDC Awards só retornará após o Academy Awards, esta semana será só sobre Oscar, e de cara três filmes que estão concorrendo.

O Lutador


Título original: The Wrestler
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Darren Aronofsky

Um filme independente e que suou bastante para ver a luz do sol acabou se tornando, ao menos para mim, uma das maiores surpresas da temporada do Oscar, um trabalho digno da premiação e que de certa forma merecia muito mais do que apenas duas indicações. Randy The Ram (Mickey Rourke) era um dos maiores nomes do pugilismo no país, e hoje nada mais é do que chamamos de um desiludido. Solitário e necessitado ainda insiste em continuar nas suas lutas de wrestling, onde é adorado e venerado por todos seus colegas de trabalho, é amigo de todos e nunca perde o controle, o tipíco sujeito boa-praça. Eis que numa de suas lutas ele sofre um ataque cardíaco e é seriamente alertado pelo seu médico para este nunca mais subir num ringue, podendo as consequências ser devastadoras. Desesperado e sem um intuito na vida ele decide tentar conquistar duas mulheres; uma é a stripper Cassidy (Marisa Tomei) e a outra é ninguém menos que sua filha Stephanie (Evan Rachel Wood), abandonada pelo próprio há muito tempo atrás. E à medida que ambas as reconciliações vão se formando, no caminhar das separações Randy Robbinson tomará uma decisão dolorosa na sua vida.

O roteiro do longa baseia-se numa trama simples, envolvendo uma temática já muito usada, mas honra-se ao em momento algum soar repetido ou clichê, criando uma originalidade natural. Fato este deve-se muito ao trabalho primoroso executado pelo injustiçado Darren na direção. Darren Aronofsky introduz um estilo diferente e fantástico, através dos movimentos de câmera e do encaixe perfeito de focos e locais. Seus diversos planos-sequência nunca se tornam cansativos e transcedem a sensação de tempo real da cena, como se estivessemos presenciando um documentário da vida do personagem ou como se ele estivesse prestes a entrar no ringue, aliás as cenas de luta são impressionamente poderosas e sublimamente bem realizadas e executadas pelo diretor. Outro aspecto importante é que o diretor utiliza muita bem os poucos ocorridos entre os personagens no roteiro, e os explora de maneira abrangente e refletiva, através de um estudo detalhado e objetivo do qual submete-os a um ponto inicial e final na trama. Falar da fita e esquecer de suas atuações é um pecado, louvando a bela composição de seu trio principal.

Marisa Tomei e Evan Rachel Wood desempenham seu papel com méritos, passando a dramaticidade necessária nas telas. Já Rourke faz mesmo seu retorno triunfal, nos passando um personagem tão sereno e indeciso, simples e complexo, mas acima de tudo triste e solitário, o levando a tomar suas decisões. É dele o principal motivo de nos apegarmos tanto ao personagem e idem a mesma razão que nos faz quase chorar no brilhante e inesquecível ato final do longa, já que na minha opinião (talvez pode ter SPOILER à frente) o verdadeiro desfecho da trama fica implícito no fundo preto da fita, nos poupando do que seria uma tristeza ainda maior e nos confortando com a disparada melhor música do ano ´´The Wrestler``, cantada por Bruce Springsteen, e inexplicavelmente ignorada pela Academia, não tem como entender mesmo. Aplausos para, infelizmente, um dos longas mais injustiçados do ano.

Cotação: 9.0

Torcida no Oscar: Melhor Ator (Mickey Rourke)
Que pena não estar concorrendo: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Canção.

****1/2

Milk - A Voz da Igualdade


Título original: Milk
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Gus Van Sant

Com um elenco formidável e um diretor bastante habilidoso e inteligente o longa chega na disputa abordando uma temática polêmica, e queira ou não, adorada pelos membros da Academia. A vida real de Harvey Milk (Sean Penn), um ativista político assumidamente gay e após ir morar com seu namorado Scott (James Franco) decide formar uma coligação com outros homossexuais e alianças partidárias, promovendo-o a tentar por diversas vezes ocupar cargos para a cidade de San Francisco, e quando finalmente consegue, torna-se um símbolo do homossexualismo no país, enquanto passa a pôr seus ideiais e pensamentos em prática dentro da conservadora política americana. Isto desencadeia obviamente na contrariedade de muitos, dentre eles um ex-suposto aliado; Dan White (Josh Brolin). Visualmente (não emocionalmente) mais forte do que ´´O Segredo de Bokeback Moutain`` esta película adota o tema do homossexualisto de maneira natural, já que tudo visto na tela é uma história real.

Todos, e são muitos, estão excelentes nos seus papéis. Josh Brolin passa um realismo incrivel e exemplar ao seu personagem, James Franco coloca boa parte do drama pessoal da fita à prova. Não esquecer do sempre ótimo Emile Hirsch e claro do astro da obra Sean Penn. Sua transformação física e sobretudo intelectual é fantástica, afinal lembremos da real personalidade do ator. Sempre incansável Penn se entrega totalmente ao papel. Gus Van Sant assina mais um bom trabalho de direção no seu currículo, analisando inteligentemente cada personagem que vemos na tela e digerindo a trama de forma madura, mas peca um pouco ao deixar o longa entrar num ritmo lento, ficando cansativo e entediante em algumas sequências. Ignorando o erro o grande mérito do longa vai para seu roteiro, que desde do início se mostra claramente uma trama de política, mas ao dar espaço para o intímo e peculiar dos vários personas, a fita transcede uma naturalidade simbólica, além de manter sempre uma concordância entre as diversas fases demonstradas, ajudada pela eficiente edição da obra. Um filme de política, que abrindo espaço para o intímo dos personagens, torna-se um drama inteligente.

Cotação: 8.0

Torcida no Oscar: Melhor Roteiro Original
Que pena não ser candidato: todas foram indicadas.

****

Frost/Nixon


Título original: Frost/Nixon
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Ron Howard

Diretor irregular e criticado por muitos Ron Howard conseguiu sua segunda indicação ao Oscar (na primeira ganhou pelo bom, mas não excelente ´´Uma Mente Brilhante``), indicação que na minha opinião foi forçada e pouco merecida, já que sua direção é apenas normal em comparação a outras muito mais fortes vistas no ano. 3 anos após sua renúncia o ex-presidente americano Richard Nixon (Frank Langella) aceita o convite para dar uma entrevista num programa do australiano David Frost (Michael Sheen), onde serão debatidos detalhes e obscuridades de seu governo. Nixon planejava dobrar fácil Frost e assim conseguir uma boa imagem do povo americano, mas durante 4 noites o que se sucede é uma batalha de palavras e conceitos, até que apenas um seria o vencedor, neste caso ou Nixon consegueria sua boa imagem ou Frost pioraria a já péssima imagem do político.

O filme não chega a ser ruim, mas está longe de ser uma grande coisa. Temos um enfoque político e cultural interessante sobre a sociedade americana, onde Howard acerta em passar a tensão precisa nas cenas de debate. O forte do longa são as atuações (único de ótimo na fita), não só de Langella que faz um Nixon tão perfeito, aliás em nada fisicamente ambos se parecem, mas ao capturar a alma e a essência do presidente, o resultado se torna fantástico. Michael Sheen nos oferece mais um trabalho competente, assim como o resto do elenco. Mas o que mais me desagradou no longa foi ver a incapacidade de Ron Howard em equilibar a intimidade e a vida política dos personagens (feito com proeza em ´´Milk``), pois se o filme estuda muito pouco o pessoal dos envolvidos, o faz de maneira muito lesa, não conseguindo passar o drama necessário para a trama. Consequencia disto surge que o filme apenas empolga o espectador a partir do terceiro debate. Com uma edição inteligente, uma trilha sonora eficiente e um roteiro bom, mas mal interpretado, ´´Frost/Nixon`` não é ruim, é apenas descartável.

Cotação: 6.5

Torcida no Oscar: none
Que pena não ser candidato: está sendo candidato até demais.

***1/2

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Leitor

Nossa... para não cair em esquecimento total, vim escrever um breve post no blog, do qual deve retornar à ativa em meados desta semana. E nada melhor que voltar à ativa comentando sobre os filmes indicados ao Oscar, antes de continuar o BDC Awards 2009.
Título original: The Reader
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Stephen Daldry

Subestimado por muitos na corrida do Oscar, ´´O Leitor`` surpreendeu ao chegar com a dupla indicação filme/diretor, além de elevar Winslet à merecida categoria principal de melhor atriz. A Academia adora o Daldry e não é por menos, todos os seus filmes são belos e tocantes, envolvendo um drama interior e interpessoal notável em seus personagens, o que faz com que estes tomem rumos totalmente diferentes do que imaginávamos. E isto acontece com proeza no seu novo longa, contando ainda com uma abordagem narrativa divergente das demais quando estuda-se uma temática tão polêmica como o nazismo, utiliza-se no longa um estilo de imagem diferente, não os colocando como monstros, mas como seres que cometeram erros inapagáveis e destruidores, e que chegaram a compartilhar sentimentos verdadeiros com outros como o relacionamento entre os protagonistas.

Michael Berg (David Kross/Ralph Fiennes) é em 1995 um bem sucedido advogado, separado e pai de uma filha. Mas ele manteve um segredo durante toda a sua vida. Em 1958 aos seus 15 anos, numa Alemnha em plena recuperação pós-guerra, ele se envolveu com uma mulher muito mais velha chamada Hanna Shmitz (Kate Winslet) onde passaram um verão inteiro juntos, apegando-se amorosamente um ao outro, até que Hanna resolveu abandoná-lo. Transtornado e depressivo Michael trata de retornar à sua vida habitual e entra numa faculdade de Direito. É então quando ele vai assistir ao julgamento de 6 mulheres que foram oficiais nazitas durante a Segunda Guerra, acusadas de crimes severos e monstruosos. Uma dessas mulheres é Hanna e Michael se vê abalado ao ter consciência da verdadeira face de seu amor juvenil. A cada sessão ele descobre mais sobre a moça, até que num certo dia onde precisam da escrita da acusada para validar uma prova ela se rejeita e diz não ser necessário, confirmando a prova. Michael então percebe o verdadeiro motivo de sua atitude; ela não sabe ler e sempre escondeu isso, relembrando os romances que ele recitava para Hanna, enquanto esta apenas escutava e nunca fazia questão de ler por si própria.

Indeciso entre revelar seu segredo ou não ao tribunal, ele decide escondê-lo pelo resto da vida, e isso trará a ambos vastas consequências nas suas vidas, na parte pessoal do próprio Michael e no rumo que Hanna toma. Adotando uma narrativa de vai-e-vem, mas contínua, o roteiro do longa destaca-se como um de seus melhores aspectos, balanceando bem as fases do personagem e estudando-os e descobrindo-os de maneira satisfatória conoforme os anos vão passando, se posicionando a todo momento como um drama sentimental bastante parecido àquele velho estilo de filmagem do cinema europeu. E Daldry consegue mais uma vez pôr seus conceitos em prática, aproveitando da situação dos personagens e colocando-os em conflito com eles mesmos, mas sempre utilizando um aspecto simplório fazendo deles pessoas comuns em momentos incomuns e inesperados. Maduro e consciente o diretor nunca perde o foco da película nas diversas fases do longa, salvando o espectador da confusão e sempre mantendo uma concordância entre os fatos, uma continuidade.

A parte mais brilhante do longa é claro o momento em que Daldry dedica-se apenas a estudar o relacionamento entre os dois, mantendo um tom de romance, drama e suspense incrível, o que faz que se o filme fosse só aquilo já daria um excelente resultado. Por isso explica-se o fato de na última fase a fita perder um pouco de sua qualidade dramática, nos dando saudades da época de início da projeção. Winslet vai ganhar o Oscar, e merecidamente, já que a atriz é passiva de uma serenidade e curiosidade incrível para sua personagem e ao contrário do que esperávamos não nos faz odiá-la (e eu odeio demais qualquer coisa ligada ao nazismo). Ralph Fiennes, como sempre, faz um trabalho excelente (é até clichê ficar repetindo isso), o talento do ator é estupendo e brilhante. Outro que também atua tão brilhantemente no longa é David Kross (injustamente esnobado nas premiações), pois afinal ele carrega grande parte do drama da película nas suas costas. Com qualidades técnicas irretocáveis, inclusive o sempre fantástico Roger Deakins na fotografia, ´´O Leitor`` é um filme que merece estar entre os 5 finalistas, sendo meu terceiro preferido dentre os indicados, mas talvez nem entraria no meu top 5, acho na verdade que por bem pouco não entraria.
Cotação: 8.5

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Lembrete do BDC Awards / Até mais!!!

Pessoal, diante das recentes demoras nas atualizações deste blog, venho informa-lhes que devo me ausentar por um certo tempo, que entretanto deverá ser pouco. Motivo: meu pc está quebrado rsrs e viajarei amanhã para Salvador. A principal razão por estar passando esta informação se deve à situação do Blog dos Cinéfilos Awards, que já começou há algumas semanas e teve alguns vencedores anunciados, além de que alguns blogueiro já demonstraram interesse em participar e mandaram seus votos para o Prêmio do Júri. Sobre as categorias da premiação oficial, logo ao retornar será anunciado ao menos 6 categorias por postagem, para acelerarmos um pouco. Quanto ao Prêmio do Júri, quem ainda estiver interessado em participar poderá mandar seus votos até o dia 02/02/09. Até agora 8 pessoas já mandaram seus votos e estes foram contabilizados. Lembrando as regras do Prêmio do Júri:

- Deverá ter um blog especializado em cinema (não precisando ser somente sobre cinema lógico)
- No e-mail, dizer o nome do blogueiro e do blog.
- Mandar os votos para este e-mail: serginhocsp@hotmail.com
- Fazem parte desta premiação as seguintes categorias: Filme, Filme Estrangeiro, Filme Nacional e Animação.
- Listar os 5 filmes favoritos por ordem de preferência nas categorias acima, à exceção de Animação (apenas 3).
- Filmes que estreiaram no BRASIL dentre 1 de janeiro de 2008 até 3 de dezembro de 2008.

Bom, é isso aí, dentro de uma semana devo voltar. Afinal de contas preciso de uma folga e uma viagem, que sempre faz bem. Me senti na obrigação de informá-los, para não deixar o blog desatualizado o tempo todo e sem um motivo aparente. Abraços a todos e espero retornar o mais breve possível.

domingo, 25 de janeiro de 2009

SAG Awards - Previsões

Desculpem pela demora de atualização. Mais uma vez minha péssima sina de computadores sucumbiu em mais um dos vários problemas do meu pc rsrs, e ainda fui para o Pré-Caju ontem, estou com uma dor de cabeça tremenda rsrs. Inclusive tenho um rascunho feito sobre os indicados ao Oscar (do qual no geral me decepcionei um pouco), mas agora já é tarde demais. Hoje é dia de SAG Awards e cá estão minhas previsões, além de minha torcida por determinadas categorias.


Melhor Elenco
Vencedor: O Curioso Caso de Benjamin Button
Alt: Dúvida
Torcida: O Curioso Caso de Benjamin Button
As chances de Dúvida são enormes, já que o longa teve praticamente todo seu elenco indicado à premiação e ao Oscar mais posteriormente, portanto caso nenhum de seus atores leve um prêmio, como compensação o longa poderia levar aqui. Mas o motivo de ter votado em Benjamin Button é pelo fato de que o filme vem sendo tão aclamado, e indicado mas esnobado nas mais diversas cerimônias de premiações, perdendo para um filme um pouco superior (Quem quer ser um milionário?). Portanto esta seria uma oportunidade de agraciar com um prêmio importante um filme tão maravilhoso quanto este.



Melhor Ator
Vencedor: Sean Penn (Milk)
Alt: Mickey Rourke (O Lutador)
Torcida: Mickey Rourke (O Lutador)
Uma vitória sem ser estes dois, será claramente uma surpresa, acredito que hoje será definido quem leva o Oscar na categoria, já que vem sendo uma disputa apertadissíma e acirrada. Embora ache o trabalho de Sean fantástico no ótimo Milk, torço pelo retorno em alto estilo de Rourke num dos melhores filmes da temporada; O Lutador.



Melhor Atriz
Vencedora: Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Alt: Meryl Streep (Dúvida)
Torcida: Qualquer uma hehe.
Winslet, indicada a Lead no Oscar pelo filme em que aqui está em Supporting, portanto nesta categoria ela não leva por Foi Apenas um Sonho, deixando Anne e Meryl na briga disputadissíma pelo prêmio da noite.



Melhor Ator Coadjuvante

Vencedor: Heath ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Alt: Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
Torcida: Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Será legal ver mais uma homenagem a ser prestada para Heath, que é de longe a melhor atuação (lead ou supporting, masculino ou feminino) do ano, aliás aproveitando a oportunidade fiquei triste pela ausência de TDK nas principais categorias do Oscar, enfim, a Academia ainda não quebrou seu preconceito.

Melhor Atriz Coadjuvante
Vencedora: Kate Winslet (O Leitor)
Alt: Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Torcida: Kate Winslet ou Penelope Cruz
Para reforçar de vez suas chances no Oscar, por mais que seja numa categoria diferente, é o mesmo filme.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Oscar 2009 - Apostas e Previsões Finais

Amanhã, dia 22, saem finalmente os indicados ao 81 th Academy Awards,e cinéfilos do mundo inteiro aguardam com ansiedade e claro, fazem suas apostas! Bom, então vamos parar de enrolação. Ah! Minha torcida para entrar em Best Picture são Slumdog Millionaire, Benjamin Button, TDK, O Lutador e Milk ou Wall-e. Gomorra não tem chance alguma, portanto nem adianta torcer rsrs. Lembrando que estes são os melhores que já assisti, podendo entrar na minha lista de favoritos outros longas que ainda não pude conferir, mas obviamente já sendo tarde demais. Vamos às apostas:






And here we go...

Melhor Filme
- Slumdog millionaire
- O curioso caso de benjamin Button
- Milk
- Batman - o cavaleiro das trevas
- Frost/Nixon
alt: O lutador
Uptade: 3/5

Melhor Direção
- Danny Boyle (Slumdog millionaire)
- David Fincher (O curioso caso de Benjamin Button)
- Gus Van Sant (Milk)
- Christopher Nolan (Batman - o cavaleiro das trevas)
- Darren Aronofsky (O lutador)
alt: Ron Howard (Frost/Nixon)
Update: 3/5

Melhor Ator
- Seann Penn (Milk)
- Mickey Rourke (O lutador)
- Frank Langella (Frost/Nixon)
- Brad Pitt (O curioso caso de Benjamin Button)
- Leonardo DiCaprio (Foi apenas um sonho)
alt: Richard Jenkins (The visitor)
Update: 4/5

Melhor Atriz
- Meryl Streep (Dúvida)
- Anne Hathaway (O casamento de Rachel)
- Kate Winslet (Foi apenas um sonho)
- Sally Hawkins (Simplesmente feliz)
- Angelina Jolie (A troca)
alt: Kristin Scott Thomas (I´ve loved you so long)
Update: 3/5

Melhor Ator Coadjuvante
- Heath Ledger (Batman - o cavaleiro das trevas)
- Josh Brolin (Milk)
- Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
- Robert Downey jr. (Trovão tropical)
- Dev Patel (Slumdog millionaire)
alt: James Franco (Milk)
Update: 4/5

Melhor Atriz Coadjuvante
- Kate Winslet (O leitor)
- Penelope Cruz (Vicke Cristina Barcelona)
- Marisa Tomei (O lutador)
- Taraj P. Henson (O curioso caso de Benjamin Button)
- Viola Davis (Dúvida)
alt: Amy Adams (Dúvida)
Update: 4/5

Melhor Roteiro Adaptado
- Slumdog millionaire
- O curioso caso de Benjamin Button
- Dúvida
- Frost/Nixon
- O leitor
alt: Batman - o cavaleiro das trevas
Update: 5/5

Melhor Roteiro Original
- Milk
- Vicky Cristina Barcelona
- O lutador
- O casamento de Rachel
- Wall-e
alt: The visitor
Update: 2/5

Melhor Filme Estrangeiro (sem Gomorra? Vamos à loteria!)
- Valsa com Bashir (Israel)
- Entre les murs (França)
- Três macacos (Túrquia)
- The Baader Meinhof Complex (Alemanha)
- Everlasting Moments (Suécia)
alt: Revanche (Áustria)
Update: 3/5

Melhor Animação
- Wall-e
- Valsa com Bashir
- Kung Fu Panda
alt: Bolt
Update: 2/3

Melhor Edição
- Batman - o cavaleiro das trevas
- Slumdog millionaire
- O curioso caso de Benjamin Button
- Milk
- Frost/Nixon
alt: Um ato de liberdade
Update: 5/5

Melhor Som
- Batman - o cavaleiro das trevas
- Wall-e
- Homem de ferro
- Um ato de liberdade
- Indiana Jones
alt: 007 - Quantum of solace
Update: 3/5

Melhor Mixagem de Som
- Batman - o cavaleiro das trevas
- Wall-e
- Homem de ferro
- Um ato de liberdade
- O curioso caso de Benjamin Button
alt: Slumdog millionaire
Update: 3/5

Melhores Efeitos Visuais
- Homem de Ferro
- O curioso caso de Benjamin Button
- Hellboy 2
alt: Batman - o cavaleiro das trevas
Update: 2/3

Melhor Fotografia
- Batman - o cavaleiro das trevas
- O curioso caso de Benjamin Button
- Foi apenas um sonho
- Um ato de liberdade
- Slumdog millionaire
alt: O leitor
Update: 3/5

Melhor Direção de Arte
- O curioso caso de Benjamin Button
- Austrália
- A troca
- Indiana Jones
- Foi apenas um sonho
alt: Batman - o cavaleiro das trevas
Update: 3/5

Melhor Figurino
- O curioso caso de Benjamin Button
- A duquesa
- Foi apenas um sonho
- A troca
- Sex and the city
alt: Austrália
Update: 3/5

Melhor Maquiagem
- O curioso caso de Benjamin button
- O leitor
- Batman - o cavaleiro das trevas
alt: Hellboy 2
Update: 2/3

Melhor Trilha Sonora
- Slumdog millionaire
- O curioso caso de Benjamin Button
- Milk
- Wall-e
- Batman - o cavaleiro das trevas
alt: Frost/Nixon
Update: 4/5

Melhor Canção

- The wrestler (O lutador)
- Donw to earth (Wall-e)
- Jai-ho (Slumdog millionaire)
- I thought i lost you (Bolt)
- Once in a lifetime (Cadilac records)
alt: Little person (Sinedoque, Nova York)
Update: 2/3

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

BDC Awards - Fotografia, Direção de Arte e Animação

Melhor Fotografia
and the BDC goes to...

Vencedor: Sangue Negro: a fotografia de Sangue Negro não é apenas um aspecto positivo do filme, ela é por muitas vezes o próprio filme. Apresentando-se como um personagem à parte, tem uma função da mais extrema importância; passar o mundo interior de seus personagens, principalmente de seu protagonista, e sobretudo conduzí-los a um ambiente aterrorizante, causando angústia e perplexão visual do espectador. Robert Elswit faz um trabalho cinematográfico magistral e sublime, em poucos longas vimos o mundo de um personagem ser tão fielmente retratado pelas câmeras, que através de uma fotografia escura, sombria e visceral, reflete de maneira perfeita o terror presente na mente e no olhar de ´´Daniel Plainview``, postulado como um sujeito oriundo das trevas. Silenciosa, lenta, e sempre focada em seus atores, além de tenebrosa e seca, posso dizer que Robert Eswit realiza aqui sua obra-prima. Primeiro prêmio de Sangue Negro, líder em indicações.

Demais indicados (por ordem de preferência):

2° O Escafandro e a Borboleta: o trabalho neste assume um papel semelhante ao apontado em Sangue Negro. A câmera muitas vezes a partir da pouca visão de Jean Dominique Bauby passa a certa densidade e angústia precisa para captarmos o drama e a a tragédia em que se encontrava o personagem, fazendo com que nós se sentissimos ligados ou como se fossemos ele mesmo.



3° Batman - O Cavaleiro das Trevas: outro trabalho muito parecido com Sangue Negro, cinematogrificamente falando. Escura e frenética, esta também passa a essência de um mundo das trevas, mas não de um personagem e sim do próprio local, Gotham City.




4° Desejo e Reparação: passando o clima da época de maneira fantástica, sem soar repetitivo, a fotografia de ´´Atonement`` ainda inova em certos aspectos, como no espetacular plano-sequência da praia, onde vê-se um trabalho muito cuidadoso e preciso.




5° Ensaio Sobre a Cegueira: exageros à parte, este é mais uma que passa de maneira safisfatória a essência de algo, e desta vez seria mundo de todos os personagens, muito bem elaborada e exatamente similar à treva branca, que Saramago tão brilhantamente inventou e descreveu.




Melhor Direção de Arte
and the BDC goes to...

Vencedor: Desejo e Reparação: a construção e preparação do cenário foi simplesmente impecável neste longa.Dividindo-se entre mansões luxuosas, campos e jardins floridos e belos, longas estradas, além de ruas, prédios e locações de época da cidade na década de 40, e lógico não podemos esquecer da fantástica visualização da 2° Grande Guerra, com lugares e coisas destruídas, casas aos pedaços e mal cuidadas pelos soldados. Enfim, é um retrato da época perfeito e deslumbrante aos olhos do espectador. Um trabalho muito abrangente e detalhista, um louvor de fidelidade aos filmes de época, como este. Segunda vitória de Atonement.

Demais indicados (por ordem de preferência):

2° Sweeney Todd: realmente é fantástico, deslumbrante. Mas por repetidas ocasiões senti sendo um trabalho mais computadorizado do que criado para um cenário, embora ambos juntos beirem a perfeição.





3° Sangue Negro: mesmo sendo um roteiro de poucas locações, a criação do ambiente é perfeita, utilizando de recursos simples, mas eficazes para filmes com tal. As torres de petróleo são de despertar a curiosidade ambiciosa de quem assiste.




4° O Gânster: ok, os anos 70 não estão tão distante assim, mas não podemos negar, que com este longa realmente nos sentimos dentro dos anos 70 e do Harlem.





5° Ensaio Sobre a Cegueira: mais uma vez o mundo à beira do colapso descrito por Saramago é com primor demonstrado aqui. Cidades reais (como SP) e suas ruas desertas, entupidas de lixos, carros no meio da rua, casas e estabelecimentos destruídos e vazios.



Melhor Animação
and the BDC goes to...

Vencedor: Persépolis: esta não é propriamente dita uma animação para crianças e família. o longa apenas é uma animação por ser uma adaptação fiel aos quadrinhos escrito por Marjani Satrapi, que falam sobre sua vida. Aliás que história de vida hein, os ocorridos que transcendem no personagem principal e a sua concepção de tudo é simplesmente brilhante, encantador e emocionante. Mantendo-se fiel aos quadrinhos (até no seu aspecto visual) Persépolis se destaca pelas suas qualidades dramáticas, abordando uma temática polêmica e intrigante, e que aos olhos da nossa normal e incomum heroína Marjani (um herói simples e comum, diferente de outros longas do gênero) se torna uma fábula. Sendo uma animação adulta, Persépolis emociona e encanta pela sua beleza e a forma poética e suave de passar acontecimentos tão trágicos. Muito perto de uma obra-prima.

2° Wall-e: com dó no coração não votei em Wall-e, um filme para a família, mas que não deixa de mandar sua mensagem e crítica ao nosso mundo, um mundo de consumismo que só tende a piorar. Meigo e lindo, a animação da Pixar emociona a qualquer um que assista, sem exceção. Mas se é para escolher o melhor, por favor, desculpas Wall-e.



3° Horton e o Mundo dos Quem: tirando os dois acima tivemos poucos bons longas de animação no ano, e este foi um deles, que além de abordar nas entrelinhas um tema importante, é muito simpático.





Nota: O prazo de entrega dos votos ao Prêmio do Júri foi prolongado e termina no dia 28/01/09. Enviar a lista para serginhocsp@hotmail.com. Listar 5 filmes nas categorias Filme, Filme Estrangeiro e Filme Nacional e apenas 3 em Animação (votos dirigem-se apenas a estas categorias). Todos em ordem de preferência. Envie sua própria seleção do ano, independende dos meus indicados. Esse lembrete será notificado em cada postagem referente à premiação.