segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Oscar 2009 - Comentários

Ok, posso estar sendo o único a entrar na correnteza dos negativistas ou até céticos por demais, mas tenho de confessar. A cerimônia do Oscar foi, para mim, frustrante, cansativa, chata e acima de tudo sonolenta. Talvez mais pela total previsibilidade nas categorias, nenhuma surpresa (nem mesmo Foreing para ´´Departures``, do Japão), ou talvez pela ausência de momentos e discursos emocionantes (nem o de Ledger foi como eu esperava), Penn e Winslet foram os melhores neste quesito. Com uma abertura empolgante e criativa, me animei ferverosamente e veio uma surpresa tão boa quanto ruim no anúncio da primeira categoria da noite. Ok, ok... foi bem legal a idéia de 5 ganhadores do prêmio anteriormente anunciarem o vencedor deste ano, bem inovador, na procura de atrair público. Mas sei lá, me acostumei tanto com o tradicional (vencedor do ano passado + clipe dos indicados) que não gostei do novo método (que não será duradouro obviamente). Muitos ali nem conheciam ao certo o ator no qual reverenciavam (o Alan Arkin soltando: ´´Seymour Philip Hoffman``... kkkk). E em culpa deste estilo que durava quase 10 minutos por cada categoria de atuação, muitas outras técnicas foram prejudicadas e diria até desrespeitadas. Will Smith apresentando 4 ou 5 prêmios (realmente perdi a conta) de uma só vez foi ridículo. Não gostei nem um pouco também do Michael Giacinno, após a vitória de vários profissionais surgia uma música de fundo tão brega e em nada combinando com o momento, basta ver o prêmio de Ledger e tirar a conclusão. Ao menos se a cerimônia foi ruim, a mais chata que já assisti (confiro o Oscar ao vivo apenas desde 2003), os premiados foram no geral todos super merecidos.

Quem Quer Ser um Milionário? como era de se esperar foi o grande vencedor da noite, levando nada menos que 8 estatuetas, além da dobradinha filme e diretor (Danny Boyle), consagrando-se em roteiro adaptado, edição, fotografia, mixagem de som, trilha sonora e canção original. Com 8 Oscars o longa faz história e une-se a um seleto grupo de longas com o mesmo número de prêmios (7 no total), incluindo um dos melhores filmes da história do cinema ´´Sindicato de Ladrões```, de Elia Kazan, e no ano anterior a este clássico outro idem clássico também levou 8 prêmios; ´´À Um Passo da Eternidade``, de Fred Zineman. Cuidado! Não estou querendo comparar Slumdog a estes, nunca, jamais, e embora ´´Slumdog Millionaire``, assim como os clássicos citados, tenha recebido cotação máxima da minha parte, aqueles estão num patamar bem acima. Enfim, feliz pelo reconhecimento à obra-prima do ano, o melhor verdadeiramente.

Sean Penn foi até o fim na batalha com seu amigo Rourke e saiu vencedor, um prêmio merecidissimo para um dos melhores de sua geração (junto com Day-Lewis são os melhores, não lembro de outro) embora minha torcida fosse Mickey. Finalmente Kate Winslet levou seu tão cobiçado Oscar, como todos esperavam. Penélope Cruz junta-se ao seu namoradinho ou ex Javier Bardem como os únicos espanhóis a ganharem Oscar em categorias de atuação.



Heath Ledger ganhou? Nossa... a maior surpresa da noite! rsrs O prêmio mais gratificante e merecido do ano. Embora eu esperasse mais por parte do discurso da família, eles foram cordiais e manteram a linha, honrando seu ente querido. Vimos alguns atores deixarem escapar lágrimas de seus olhos. E quem diz que ele só ganhou por estar morto, mostre-me uma atuação neste ano (masculina ou feminina, leading ou supporting) superior ao seu Coringa. Exatamente, não há.


Departures foi a surpresinha da noite. O último Oscar do Japão foi em 1955 com ´´As Portas do Inferno``, de Teinosuke Kinugasa. Antes disso o célebre Akira Kurosawa havia levado duas vezes e o fez novamente em 1976 por ´´Dersu Uzala``, mas este sendo uma produção soviética. E nem foi lá uma grande surpresa, já que esta categoria vem se mostrando bastante imprevisível a todo ano.



Wall-E não levou nenhuma das outras que disputava, mas glorificou-se na mais importante, a Pixar prova ser um monstro no Oscar e leva mais uma num dos seus melhores frutos. O Curioso Caso de Benjamin Button foi um dos grandes perdedores, como já era de se esperar. 13 indicações e apenas 3 vencidas: direção de arte, maquiagem e efeitos especiais. Assim como Batman - O Cavaleiro das Trevas, que além de Ledger levou apenas na categoria de edição de som.


Lista completa dos vencedores aqui.

E que venha 2010. Em breve postarei possíveis concorrentes à premiação do próximo ano, que por mais cedo que possa parecer, estes são na verdade alguns dos filmes mais esperados de 2009. Ah e se preparem para o retorno do Blog dos Cinéfilos Awards 2009!!!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Oscar 2009 - Apostas Finais

Finalmente chegou o dia esperado por muitos cinéfilos, e mesmo esnobado e criticado por vários, todos sentem curiosidade e apreciação em conferirem os consagrados com o prêmio máximo do cinema mundial. Num ano de indicados relativamente fracos, ao menos na minha opinião o melhor longa do ano deve ser o vencedor, demonstrando um contraste na relação de nomeados, já que obras como ´´Batman - O Cavaleiro das Trevas`` e ´´O Lutador`` foram ignoradas nas principais categorias. Bom, nesta altura do campeonato apenas duas dentre as principais categogrias permanecem gerando dúvidas; tudo bem que é quase certo a vitória da Kate (superando a Meryl), mas a batalha entre Mickey e Penn só será decida ao abirem o envelope. E aqui vamos às apostas e torcidas.

Melhor Filme

Vencedor: Quem quer ser um milionário?.
Alt: O curioso caso de Benjamin Button.
Torcida: Quem quer ser um milionário?.






Melhor Diretor

Vencedor: Danny Boyle (Quem quer ser um milionário).
Alt: David Fincher (O curioso caso de Benjamin Button).
Torcida: Danny Boyle (Quem quer ser um milionário?)






Melhor Ator

Vencedor: Mickey Rourke (O Lutador).
Alt: Sean Penn (Milk - A Voz da Igualdade).
Torcida: Mickey Rourke (O Lutador).






Melhor Atriz

Vencedora: Kate Winslet (O Leitor).
Alt: Meryl Streep (Dúvida).
Torcida: Kate Winslet (O Leitor).






Melhor Ator Coadjuvante

Vencedor: Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas).
Alt: Philip Seymour Hoffman (Dúvida).
Torcida: Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas).






Melhor Atriz Coadjuvante

Vencedora: Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona).
Alt: Viola Davis (Dúvida).
Torcida: Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona).






Melhor Roteiro Adaptado

Vencedor: Quem quer ser um milionário?.
Alt: O curioso caso de Benjamin Button.
Torcida: Quem quer ser um milionário?.






Melhor Roteiro Original

Vencedor: Milk - A Voz da Igualdade.
Alt: Na Mira do Chefe.
Torcida: Milk - A Voz da Igualdade.






Melhor Filme Estrangeiro

Vencedor: Valsa com Bashir (Israel).
Alt: Departures (Japão).
Torcida: Gomorra... oops, então não sei.






Melhor Animação

Vencedor: Wall-E.
Alt: Bolt.
Torcida: Wall-E.






Melhor Edição

Vencedor: Quem quer ser um milionário?.
Alt: Batman - O Cavaleiro das trevas.
Torcida: Quem quer ser um milionário?.






Melhor Edição de Som

Vencedor: Batman - O Cavaleiro das Trevas.
Alt: Wall-E.
Torcida: Batman - O Cavaleiro das Trevas.






Melhor Mixagem de Som

Vencedor: Batman - O Cavaleiro das Trevas.
Alt: Quem quer um milionário?.
Torcida: Batman - O Cavaleiro das Trevas.






Melhores Efeitos Especiais

Vencedor: O curioso caso de Benjamin Button.
Alt: Batman - O Cavaleiro das Trevas.
Torcida: O curioso caso de Benjamin Button.






Melhor Fotografia

Vencedor: Quem quer ser um milionário?.
Alt: O curioso caso de Benjamin Button.
Torcida: Quem quer um milionário?/ Batman - O Cavaleiro das Trevas/ O curioso caso de Benjamin Button...





Melhor Direção de Arte

Vencedor: O curioso caso de Benjamin Button.
Alt: Batman - O Cavaleiro das Trevas.
Torcida: O curioso caso de Benjamin Button.






Melhor Figurino

Vencedor: A Duquesa.
Alt: O curioso caso de Benjamin Button.
Torcida: O curioso caso de Benjamin Button.






Melhor Maquiagem

Vencedor: O curioso caso de Benjamin Button.
Alt: Batman - O Cavaleiro das Trevas.
Torcida: O curioso caso de Benjamin Button.






Melhor Canção Original

Vencedor: ´´Jai Ho`` (Quem quer ser um milionário).
Alt: ´´Down to Earth`` (Wall-E).
Torcida: lógico que ´´The Wrestler``... o quê??? Me recuso a torcer por alguma, embora Jai Ho seja a melhor dos indicados é um absurdo infantil a música de Bruce Springsteen ficar fora.




Melhor Trilha Sonora

Vencedor: O curioso caso de Benjamin Button.
Alt: Quem quer ser um milionário?.
Torcida: O curioso caso de Benjamin Button.






Juro que não sabia da quase completa (à exceção de figurino) conciliação entre minhas apostas e torcidas até agora hehehe. Torço então rigorosamente para que eu acerte todas, embora ache muito difícil, quase impossível.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Quem Quer Ser um Milionário?


Título original: Slumdog Millionaire
Ano de lançamento (E.U.A/Inglaterra): 2008
Direção: Danny Boyle

Há 4 ou 5 meses atrás quase ninguém apostava num tal de ´´Slumdog Millionaire`` nas principais categorias do Oscar (inclusive eu). Hoje, favorito absoluto e com expressivas 10 indicações, o filme deve ser o grande vencedor do 81 th Academy Awards levando a dobradinha filme-diretor. E por quê o motivo de tamanho sucesso surgir de maneira repentina e avassaladora? São tantos que com certeza esquecerei algum nesta resenha, mas um resumo bem específico exemplifica: ´´Quem quer ser um milionário?`` é um conto dos tempos modernos, uma fábula imaginária e realista da nossa época, a inclusão de pessoas comuns que passam por situações tristes, terríveis, degradantes e possuem força de superação para irem atrás de seus objetivos, sendo este nada menos que um amor perdido e eterno. Quem não gosta disso? Transcedendo a enorme beleza estética da trama temos Danny Boyle, que faz sem dúvidas um dos trabalhos de direção mais magnifico e inovador dos últimos anos. Tudo visto em tela é fruto do desempenho sublime deste super talentoso e brilhante diretor.

Jamal Malik (Dev Patel/ Tanay Chheda/ Ayush Mahesh) é um pobre favelado de Mumbai, na Índia, aparentemente um rapaz sem muita educação formal. Mas num programa telvisivo de sucesso (tipo um ´´Show do Milhão``) ele estar a uma pergunta de conseguir o prêmio máximo. Como ele conseguiu chegar até aqui? Trapaceou? Sortudo? Gênio? Destino? Mandado a uma sala de interrogátorio ele é torturado por militares e obrigado a esclarecer como o fez (já que ninguém acreditava num favelado para o prêmio máximo). Jamal então assiste junto com o militar uma fita contendo o programa do qual ele participou e todos verão como ele respondeu às perguntas, começamos através dessa narrativa totalmente complexa e diferente a entrarmos no mundo de Jamal, pois acontece que as perguntas do programas quase todas possuiam alguma ligação com os principais acontecimentos da triste história de vida do garoto e passamos por sua infância, adolescência e fase atual, à medida que o verdadeiro motivo dele participar do programa é revelado. Tudo por amor, o amor eterno que por motivos e ocasiões trágicas ele nunca pode ter, o amor de sua companheira de infância Latika (Freida Pinto/ Tanvi Ganesh/ Rubianna Ali), atrapalhado inclusive pelo próprio irmão de Jamal, Salim (Maduhr Mittal/ Ashutosh Lobo/ Chirag Parmar).

Uma definição do longa nos dias atuais onde o cinema mundial passa por uma crise de originalidade é esta: o filme é diferente e portanto, original. A começar pela narrativa nada convencional empregada na trama. Misturam-se presente (Jamal no interrogatório) e passados distintos (Jamal no programa, Jamal criança, jovem e adulto), todas ligadas entre si e apresentando uma conexão importante na vida simples e triste do garoto, fazendo do roteiro de vai-e-vêm um primor de objetividade, em momento algum tornando-se confuso. Claro que por este aspecto da trama nunca cair em desentedimento com o espectador valorizamos a brilhante e melhor montagem da temporada, que mantém a mesma conectividade presente no texto do longa e liga as fases de maneira rápida, frenética, mas sempre precisa e coerente, sendo este o principal elemento técnico da fita. Além disso temos uma fotografia eficiente no exercício de sua função, já que como o longa coloca-se como um conto, uma fábula, a fotografia transborda em cores vivas e fortes nas mais diversas fases da história, e impressionante como este trabalho cinematográfico vai sempre evoluindo, como se estivesse acompanhando a evolução não só da própria trama, mas de Mumbai em si.

A trilha de A.R. Rahman é fantástica, sublime e precisa em todas suas faixas. Alterna entre momentos de tensão, romance e a própria fábula em si, destaque para as faixas ´´Riots`` e ´´Mausaum and escape``. Ajudada este pela perfeita união e composição entre a qualidade sonora do longa, a edição e mixagem de som são de perfeito encaixe para a composição sentimental do longa. E por quê atores desconhecidos e sem muita experiência como Patel, destaque entre as atuações (carrega boa parte do drama para si próprio), Pinto e todos os outros, principalmente as espetaculares crianças, obteram um desempenho tão acima da média, levando-os a um status de gente grande? A resposta é Danny Boyle, a resposta de tudo é Danny Boyle, o diretor nos oferece um trabalho primoroso, sensacional, instigante e acima de tudo super cativante. Aliás este fora o principal mérito da sua direção; conseguir cativar o espectador de maneira convincente e inovadora como este o fez.

O único que não vi de sua filmografia ainda é ´´Caiu do Céu``. Do resto podemos perceber o fascínio de Boyle em pegar pessoas comuns, submetê-las a situações inusitadas e inesperadas e ao estudarmos o peculiar de cada uma delas, percebemos que nem o personagem nem nós mesmos (meros espectadores) sabemos o que este virá a fazer em seguir. Vemos isso bastante no seu primeiro longa ´´Cova Rasa`` e até em filmes com tramas apocalípticas tais ´´Sunshine`` e ´´Extermínio`` encontramos essas características. Ao nos cativar com uma história triste e miserável de Jamal ele consegue levar o personagem a status de herói, um herói comum em carne e osso, e isso é algo que Jamal nunca pensou nem considera ser. Outro grande ponto como já afirmado antes foi a condução de elenco feita pelo diretor, necessitando de um trabalho mais especial e cuidadoso nesta área. Utilizando clichês ele praticamente os elimina de forma inteligente, já que os transforma em mais um elemento da fábula passada e permitindo que um possível momento superficial passasse longe da cena. E embora utilize de recursos conhecidos uma contraste positiva na sua direção é a sua maneira de inovar, usando um estilo de câmeras em posições e cores diferentes. Misturando e equilibrando tensão, aventura, romance, comédia, fábula, o diretor nunca perde o foco da trama e mantém a mesma importância e curiosidade o espectador acerca de cada fase da vida de Jamal, sabendo conduzir o mesmo ritmo em duas horas de projeção. Enfim, de um trabalho brilhante nunca lembramos de tudo que gostaríamos, então irei parar por aqui.

E outra pergunta. Por quê comentei tanto de cada aspecto preciso e detalhado da fita? Porque na minha opinião uma obra-prima é aquele filme do conjunto, onde unindo todos seus aspectos obtêm-se o resultado, uma obra para ser assistida de maneira detalhada. Portanto posso afirmar, e são poucos ultimamente que entram nessa lista, que ´´Quem quer ser um milionário?`` é uma obra-prima e desde já minha torcida para o Oscar, num ano em que a lista de indicados foi no geral fraca, ao menos meu preferido do ano será o possível vencedor.

Cotação: 10

Torcida no Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Canção (Jai-ho).
Que pena não ser candidato: Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel).

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Filmes do Oscar: O Lutador, Milk e Frost/Nixon

Ficar sem postar na época do Oscar é chato mesmo hehehe, mas tentarei o possível. Ah! Devido a premiação o BDC Awards só retornará após o Academy Awards, esta semana será só sobre Oscar, e de cara três filmes que estão concorrendo.

O Lutador


Título original: The Wrestler
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Darren Aronofsky

Um filme independente e que suou bastante para ver a luz do sol acabou se tornando, ao menos para mim, uma das maiores surpresas da temporada do Oscar, um trabalho digno da premiação e que de certa forma merecia muito mais do que apenas duas indicações. Randy The Ram (Mickey Rourke) era um dos maiores nomes do pugilismo no país, e hoje nada mais é do que chamamos de um desiludido. Solitário e necessitado ainda insiste em continuar nas suas lutas de wrestling, onde é adorado e venerado por todos seus colegas de trabalho, é amigo de todos e nunca perde o controle, o tipíco sujeito boa-praça. Eis que numa de suas lutas ele sofre um ataque cardíaco e é seriamente alertado pelo seu médico para este nunca mais subir num ringue, podendo as consequências ser devastadoras. Desesperado e sem um intuito na vida ele decide tentar conquistar duas mulheres; uma é a stripper Cassidy (Marisa Tomei) e a outra é ninguém menos que sua filha Stephanie (Evan Rachel Wood), abandonada pelo próprio há muito tempo atrás. E à medida que ambas as reconciliações vão se formando, no caminhar das separações Randy Robbinson tomará uma decisão dolorosa na sua vida.

O roteiro do longa baseia-se numa trama simples, envolvendo uma temática já muito usada, mas honra-se ao em momento algum soar repetido ou clichê, criando uma originalidade natural. Fato este deve-se muito ao trabalho primoroso executado pelo injustiçado Darren na direção. Darren Aronofsky introduz um estilo diferente e fantástico, através dos movimentos de câmera e do encaixe perfeito de focos e locais. Seus diversos planos-sequência nunca se tornam cansativos e transcedem a sensação de tempo real da cena, como se estivessemos presenciando um documentário da vida do personagem ou como se ele estivesse prestes a entrar no ringue, aliás as cenas de luta são impressionamente poderosas e sublimamente bem realizadas e executadas pelo diretor. Outro aspecto importante é que o diretor utiliza muita bem os poucos ocorridos entre os personagens no roteiro, e os explora de maneira abrangente e refletiva, através de um estudo detalhado e objetivo do qual submete-os a um ponto inicial e final na trama. Falar da fita e esquecer de suas atuações é um pecado, louvando a bela composição de seu trio principal.

Marisa Tomei e Evan Rachel Wood desempenham seu papel com méritos, passando a dramaticidade necessária nas telas. Já Rourke faz mesmo seu retorno triunfal, nos passando um personagem tão sereno e indeciso, simples e complexo, mas acima de tudo triste e solitário, o levando a tomar suas decisões. É dele o principal motivo de nos apegarmos tanto ao personagem e idem a mesma razão que nos faz quase chorar no brilhante e inesquecível ato final do longa, já que na minha opinião (talvez pode ter SPOILER à frente) o verdadeiro desfecho da trama fica implícito no fundo preto da fita, nos poupando do que seria uma tristeza ainda maior e nos confortando com a disparada melhor música do ano ´´The Wrestler``, cantada por Bruce Springsteen, e inexplicavelmente ignorada pela Academia, não tem como entender mesmo. Aplausos para, infelizmente, um dos longas mais injustiçados do ano.

Cotação: 9.0

Torcida no Oscar: Melhor Ator (Mickey Rourke)
Que pena não estar concorrendo: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Canção.

****1/2

Milk - A Voz da Igualdade


Título original: Milk
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Gus Van Sant

Com um elenco formidável e um diretor bastante habilidoso e inteligente o longa chega na disputa abordando uma temática polêmica, e queira ou não, adorada pelos membros da Academia. A vida real de Harvey Milk (Sean Penn), um ativista político assumidamente gay e após ir morar com seu namorado Scott (James Franco) decide formar uma coligação com outros homossexuais e alianças partidárias, promovendo-o a tentar por diversas vezes ocupar cargos para a cidade de San Francisco, e quando finalmente consegue, torna-se um símbolo do homossexualismo no país, enquanto passa a pôr seus ideiais e pensamentos em prática dentro da conservadora política americana. Isto desencadeia obviamente na contrariedade de muitos, dentre eles um ex-suposto aliado; Dan White (Josh Brolin). Visualmente (não emocionalmente) mais forte do que ´´O Segredo de Bokeback Moutain`` esta película adota o tema do homossexualisto de maneira natural, já que tudo visto na tela é uma história real.

Todos, e são muitos, estão excelentes nos seus papéis. Josh Brolin passa um realismo incrivel e exemplar ao seu personagem, James Franco coloca boa parte do drama pessoal da fita à prova. Não esquecer do sempre ótimo Emile Hirsch e claro do astro da obra Sean Penn. Sua transformação física e sobretudo intelectual é fantástica, afinal lembremos da real personalidade do ator. Sempre incansável Penn se entrega totalmente ao papel. Gus Van Sant assina mais um bom trabalho de direção no seu currículo, analisando inteligentemente cada personagem que vemos na tela e digerindo a trama de forma madura, mas peca um pouco ao deixar o longa entrar num ritmo lento, ficando cansativo e entediante em algumas sequências. Ignorando o erro o grande mérito do longa vai para seu roteiro, que desde do início se mostra claramente uma trama de política, mas ao dar espaço para o intímo e peculiar dos vários personas, a fita transcede uma naturalidade simbólica, além de manter sempre uma concordância entre as diversas fases demonstradas, ajudada pela eficiente edição da obra. Um filme de política, que abrindo espaço para o intímo dos personagens, torna-se um drama inteligente.

Cotação: 8.0

Torcida no Oscar: Melhor Roteiro Original
Que pena não ser candidato: todas foram indicadas.

****

Frost/Nixon


Título original: Frost/Nixon
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Ron Howard

Diretor irregular e criticado por muitos Ron Howard conseguiu sua segunda indicação ao Oscar (na primeira ganhou pelo bom, mas não excelente ´´Uma Mente Brilhante``), indicação que na minha opinião foi forçada e pouco merecida, já que sua direção é apenas normal em comparação a outras muito mais fortes vistas no ano. 3 anos após sua renúncia o ex-presidente americano Richard Nixon (Frank Langella) aceita o convite para dar uma entrevista num programa do australiano David Frost (Michael Sheen), onde serão debatidos detalhes e obscuridades de seu governo. Nixon planejava dobrar fácil Frost e assim conseguir uma boa imagem do povo americano, mas durante 4 noites o que se sucede é uma batalha de palavras e conceitos, até que apenas um seria o vencedor, neste caso ou Nixon consegueria sua boa imagem ou Frost pioraria a já péssima imagem do político.

O filme não chega a ser ruim, mas está longe de ser uma grande coisa. Temos um enfoque político e cultural interessante sobre a sociedade americana, onde Howard acerta em passar a tensão precisa nas cenas de debate. O forte do longa são as atuações (único de ótimo na fita), não só de Langella que faz um Nixon tão perfeito, aliás em nada fisicamente ambos se parecem, mas ao capturar a alma e a essência do presidente, o resultado se torna fantástico. Michael Sheen nos oferece mais um trabalho competente, assim como o resto do elenco. Mas o que mais me desagradou no longa foi ver a incapacidade de Ron Howard em equilibar a intimidade e a vida política dos personagens (feito com proeza em ´´Milk``), pois se o filme estuda muito pouco o pessoal dos envolvidos, o faz de maneira muito lesa, não conseguindo passar o drama necessário para a trama. Consequencia disto surge que o filme apenas empolga o espectador a partir do terceiro debate. Com uma edição inteligente, uma trilha sonora eficiente e um roteiro bom, mas mal interpretado, ´´Frost/Nixon`` não é ruim, é apenas descartável.

Cotação: 6.5

Torcida no Oscar: none
Que pena não ser candidato: está sendo candidato até demais.

***1/2

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Leitor

Nossa... para não cair em esquecimento total, vim escrever um breve post no blog, do qual deve retornar à ativa em meados desta semana. E nada melhor que voltar à ativa comentando sobre os filmes indicados ao Oscar, antes de continuar o BDC Awards 2009.
Título original: The Reader
Ano de lançamento (E.U.A): 2008
Direção: Stephen Daldry

Subestimado por muitos na corrida do Oscar, ´´O Leitor`` surpreendeu ao chegar com a dupla indicação filme/diretor, além de elevar Winslet à merecida categoria principal de melhor atriz. A Academia adora o Daldry e não é por menos, todos os seus filmes são belos e tocantes, envolvendo um drama interior e interpessoal notável em seus personagens, o que faz com que estes tomem rumos totalmente diferentes do que imaginávamos. E isto acontece com proeza no seu novo longa, contando ainda com uma abordagem narrativa divergente das demais quando estuda-se uma temática tão polêmica como o nazismo, utiliza-se no longa um estilo de imagem diferente, não os colocando como monstros, mas como seres que cometeram erros inapagáveis e destruidores, e que chegaram a compartilhar sentimentos verdadeiros com outros como o relacionamento entre os protagonistas.

Michael Berg (David Kross/Ralph Fiennes) é em 1995 um bem sucedido advogado, separado e pai de uma filha. Mas ele manteve um segredo durante toda a sua vida. Em 1958 aos seus 15 anos, numa Alemnha em plena recuperação pós-guerra, ele se envolveu com uma mulher muito mais velha chamada Hanna Shmitz (Kate Winslet) onde passaram um verão inteiro juntos, apegando-se amorosamente um ao outro, até que Hanna resolveu abandoná-lo. Transtornado e depressivo Michael trata de retornar à sua vida habitual e entra numa faculdade de Direito. É então quando ele vai assistir ao julgamento de 6 mulheres que foram oficiais nazitas durante a Segunda Guerra, acusadas de crimes severos e monstruosos. Uma dessas mulheres é Hanna e Michael se vê abalado ao ter consciência da verdadeira face de seu amor juvenil. A cada sessão ele descobre mais sobre a moça, até que num certo dia onde precisam da escrita da acusada para validar uma prova ela se rejeita e diz não ser necessário, confirmando a prova. Michael então percebe o verdadeiro motivo de sua atitude; ela não sabe ler e sempre escondeu isso, relembrando os romances que ele recitava para Hanna, enquanto esta apenas escutava e nunca fazia questão de ler por si própria.

Indeciso entre revelar seu segredo ou não ao tribunal, ele decide escondê-lo pelo resto da vida, e isso trará a ambos vastas consequências nas suas vidas, na parte pessoal do próprio Michael e no rumo que Hanna toma. Adotando uma narrativa de vai-e-vem, mas contínua, o roteiro do longa destaca-se como um de seus melhores aspectos, balanceando bem as fases do personagem e estudando-os e descobrindo-os de maneira satisfatória conoforme os anos vão passando, se posicionando a todo momento como um drama sentimental bastante parecido àquele velho estilo de filmagem do cinema europeu. E Daldry consegue mais uma vez pôr seus conceitos em prática, aproveitando da situação dos personagens e colocando-os em conflito com eles mesmos, mas sempre utilizando um aspecto simplório fazendo deles pessoas comuns em momentos incomuns e inesperados. Maduro e consciente o diretor nunca perde o foco da película nas diversas fases do longa, salvando o espectador da confusão e sempre mantendo uma concordância entre os fatos, uma continuidade.

A parte mais brilhante do longa é claro o momento em que Daldry dedica-se apenas a estudar o relacionamento entre os dois, mantendo um tom de romance, drama e suspense incrível, o que faz que se o filme fosse só aquilo já daria um excelente resultado. Por isso explica-se o fato de na última fase a fita perder um pouco de sua qualidade dramática, nos dando saudades da época de início da projeção. Winslet vai ganhar o Oscar, e merecidamente, já que a atriz é passiva de uma serenidade e curiosidade incrível para sua personagem e ao contrário do que esperávamos não nos faz odiá-la (e eu odeio demais qualquer coisa ligada ao nazismo). Ralph Fiennes, como sempre, faz um trabalho excelente (é até clichê ficar repetindo isso), o talento do ator é estupendo e brilhante. Outro que também atua tão brilhantemente no longa é David Kross (injustamente esnobado nas premiações), pois afinal ele carrega grande parte do drama da película nas suas costas. Com qualidades técnicas irretocáveis, inclusive o sempre fantástico Roger Deakins na fotografia, ´´O Leitor`` é um filme que merece estar entre os 5 finalistas, sendo meu terceiro preferido dentre os indicados, mas talvez nem entraria no meu top 5, acho na verdade que por bem pouco não entraria.
Cotação: 8.5

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Lembrete do BDC Awards / Até mais!!!

Pessoal, diante das recentes demoras nas atualizações deste blog, venho informa-lhes que devo me ausentar por um certo tempo, que entretanto deverá ser pouco. Motivo: meu pc está quebrado rsrs e viajarei amanhã para Salvador. A principal razão por estar passando esta informação se deve à situação do Blog dos Cinéfilos Awards, que já começou há algumas semanas e teve alguns vencedores anunciados, além de que alguns blogueiro já demonstraram interesse em participar e mandaram seus votos para o Prêmio do Júri. Sobre as categorias da premiação oficial, logo ao retornar será anunciado ao menos 6 categorias por postagem, para acelerarmos um pouco. Quanto ao Prêmio do Júri, quem ainda estiver interessado em participar poderá mandar seus votos até o dia 02/02/09. Até agora 8 pessoas já mandaram seus votos e estes foram contabilizados. Lembrando as regras do Prêmio do Júri:

- Deverá ter um blog especializado em cinema (não precisando ser somente sobre cinema lógico)
- No e-mail, dizer o nome do blogueiro e do blog.
- Mandar os votos para este e-mail: serginhocsp@hotmail.com
- Fazem parte desta premiação as seguintes categorias: Filme, Filme Estrangeiro, Filme Nacional e Animação.
- Listar os 5 filmes favoritos por ordem de preferência nas categorias acima, à exceção de Animação (apenas 3).
- Filmes que estreiaram no BRASIL dentre 1 de janeiro de 2008 até 3 de dezembro de 2008.

Bom, é isso aí, dentro de uma semana devo voltar. Afinal de contas preciso de uma folga e uma viagem, que sempre faz bem. Me senti na obrigação de informá-los, para não deixar o blog desatualizado o tempo todo e sem um motivo aparente. Abraços a todos e espero retornar o mais breve possível.

domingo, 25 de janeiro de 2009

SAG Awards - Previsões

Desculpem pela demora de atualização. Mais uma vez minha péssima sina de computadores sucumbiu em mais um dos vários problemas do meu pc rsrs, e ainda fui para o Pré-Caju ontem, estou com uma dor de cabeça tremenda rsrs. Inclusive tenho um rascunho feito sobre os indicados ao Oscar (do qual no geral me decepcionei um pouco), mas agora já é tarde demais. Hoje é dia de SAG Awards e cá estão minhas previsões, além de minha torcida por determinadas categorias.


Melhor Elenco
Vencedor: O Curioso Caso de Benjamin Button
Alt: Dúvida
Torcida: O Curioso Caso de Benjamin Button
As chances de Dúvida são enormes, já que o longa teve praticamente todo seu elenco indicado à premiação e ao Oscar mais posteriormente, portanto caso nenhum de seus atores leve um prêmio, como compensação o longa poderia levar aqui. Mas o motivo de ter votado em Benjamin Button é pelo fato de que o filme vem sendo tão aclamado, e indicado mas esnobado nas mais diversas cerimônias de premiações, perdendo para um filme um pouco superior (Quem quer ser um milionário?). Portanto esta seria uma oportunidade de agraciar com um prêmio importante um filme tão maravilhoso quanto este.



Melhor Ator
Vencedor: Sean Penn (Milk)
Alt: Mickey Rourke (O Lutador)
Torcida: Mickey Rourke (O Lutador)
Uma vitória sem ser estes dois, será claramente uma surpresa, acredito que hoje será definido quem leva o Oscar na categoria, já que vem sendo uma disputa apertadissíma e acirrada. Embora ache o trabalho de Sean fantástico no ótimo Milk, torço pelo retorno em alto estilo de Rourke num dos melhores filmes da temporada; O Lutador.



Melhor Atriz
Vencedora: Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Alt: Meryl Streep (Dúvida)
Torcida: Qualquer uma hehe.
Winslet, indicada a Lead no Oscar pelo filme em que aqui está em Supporting, portanto nesta categoria ela não leva por Foi Apenas um Sonho, deixando Anne e Meryl na briga disputadissíma pelo prêmio da noite.



Melhor Ator Coadjuvante

Vencedor: Heath ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Alt: Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
Torcida: Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Será legal ver mais uma homenagem a ser prestada para Heath, que é de longe a melhor atuação (lead ou supporting, masculino ou feminino) do ano, aliás aproveitando a oportunidade fiquei triste pela ausência de TDK nas principais categorias do Oscar, enfim, a Academia ainda não quebrou seu preconceito.

Melhor Atriz Coadjuvante
Vencedora: Kate Winslet (O Leitor)
Alt: Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Torcida: Kate Winslet ou Penelope Cruz
Para reforçar de vez suas chances no Oscar, por mais que seja numa categoria diferente, é o mesmo filme.