Títilo original: Última Parada - 174
Ano de lançamento (Brasil): 2008
Direção: Bruno Barreto
Escolhido como representante brasileiro na corrida do Oscar, ´´Última Parada - 174`` de Bruno Barreto possue aquelas mesmas temáticas sociais já adotada em vários outros filmes do excelente cinema nacional. Não fosse o ótimo roteiro e a direção segura de Barreto o filme poderia cair num deja vu sem fim, aliás por que sempre a pobreza tem de ser divulgada mundo afora pelo nosso cinema? Filmes melhores é verdade poderiam ter sido escolhido para tal cargo, mas nenhum desses aspectos tira o mérito do nosso representante como um bom filme, chegando a ser revoltante por baseiar-se numa história real. Ao contrário do que muitos dizem, não considero este filme uma tentativa de vitimizar e romantizar o Sandro. Encarei-o como a biografia de um marginal, apenas um dentre tantos à solta no nosso país, e talvez essa tenha sido a verdadeira intenção do diretor.
Sandro (Michel Gomes) teve realmente uma infância difícil, roubado das mãos de sua mãe por um traficante de drogas ele foi entregue a uma outra mulher que o ´´adotou``. Esta foi brutalmente assassinada por um ladrão e o menino foi morar com a irmã de sua até então mãe. Inconformado ele foge de casa e passa a viver como um menino de rua, onde se perde no mundo das drogas e passa a cometer pequenos furtos e roubos, para mais tardiamente após escapar do ´´massacre da Candelária`` se juntar a Alê Monstro (Marcelo Mello) e fugir da prisão de menores. A partir daí ele se torna um verdadeiro bandido, cometendo assaltos. Sua mãe verdadeira Marisa (Cris Vianna) parte à procura de seu filho, a fim de resgatá-lo daquele mundo e tentar lhe dar uma vida melhor, mas nada poderia convencer Sandro de que ele era apenas um garoto e tinha chance de ser salvo.
Me surpreendeu bastante a direção de Barreto, embora houvesse falhas claras. O principal mérito foi manter o ritmo de uma verdadeira biografia sem que ela caísse no desgosto por se tratar de uma figura transformada em monstro pelo país. Fez uma direção segura e bastante centrada e organizada, mas peca somente em algumas cenas superficiais por demais que poderiam levar o espectador aí sim a pensar dele estar querendo vitimizar o bandido. Outro aspecto importante de sua direção foi não permitir que o filme se tornasse lento, ajudado bastante pela boa fotografia e ótima montagem, mas principalmente pelas ótimas atuações, principalmente do seu protagonista. Parece ter muito futuro esse Michel Gomes. A trilha sonora serve para avisar de que algo terrível e trágico viria a acontecer, e funciona em certo ponto. Um ponto fraco do roteiro e do diretor foi explocar muito pouco o assalto, a parte mais esperada do filme na verdade. Ele foi enfocado como apenas mais uma parte da vida de Sandro, e por esse aspecto o longa perdeu muito de sua tonicidade e realidade. Além de que algumas cenas clichês no momento mais inoportuno (Walquíria gritando ´´Alê``), e revoltante como a de ver um bandido safado como Alê Monstro, que matou uma mulher à sangue frio, derramar lágrimas por Sandro e consolar a sua mãe no enterro.
Lembro como hoje do assalto ao ônibus 174, aliás quem assistia à tv na hora não tem como não lembrar. Como eu disse, a história de Sandro é só mais uma dentre várias, mas também de várias que não seguem o mesmo caminho vermelho deste, e hoje possuem emprego, casa, filhos, esposa. Ele nunca vai ser um herói, muito menos uma vítima. Embora tivesse propício a se tornar aquilo ele teve por diversas vezes a escolha entre o bem e o mal, e sempre escolheu o mal. Poderia continuar morando com a tia e não o fez, poderia ajudar e viver auxiliado pela tia Walquíria (Anna Cotrim) como aparentemente outros meninos fizeram, ou até ter vivido com sua mãe e buscar um outro rumo. Mas não, ele por livre arbítrio escolheu seu caminho e foi justamente isso o que o roteiro de Braulio Mantovani tentou demonstrar. Ninguém nasce para isso ou aquilo. Todos nós temos a oportunidade de escolher se vamos entrar na porta azul ou vermelha. Boa educação e tratamento ajudam na hora de escolher é verdade, mas isto muito mais depende da índole da própria pessoa.
Cotação: 7.5
Ano de lançamento (Brasil): 2008
Direção: Bruno Barreto
Escolhido como representante brasileiro na corrida do Oscar, ´´Última Parada - 174`` de Bruno Barreto possue aquelas mesmas temáticas sociais já adotada em vários outros filmes do excelente cinema nacional. Não fosse o ótimo roteiro e a direção segura de Barreto o filme poderia cair num deja vu sem fim, aliás por que sempre a pobreza tem de ser divulgada mundo afora pelo nosso cinema? Filmes melhores é verdade poderiam ter sido escolhido para tal cargo, mas nenhum desses aspectos tira o mérito do nosso representante como um bom filme, chegando a ser revoltante por baseiar-se numa história real. Ao contrário do que muitos dizem, não considero este filme uma tentativa de vitimizar e romantizar o Sandro. Encarei-o como a biografia de um marginal, apenas um dentre tantos à solta no nosso país, e talvez essa tenha sido a verdadeira intenção do diretor.
Sandro (Michel Gomes) teve realmente uma infância difícil, roubado das mãos de sua mãe por um traficante de drogas ele foi entregue a uma outra mulher que o ´´adotou``. Esta foi brutalmente assassinada por um ladrão e o menino foi morar com a irmã de sua até então mãe. Inconformado ele foge de casa e passa a viver como um menino de rua, onde se perde no mundo das drogas e passa a cometer pequenos furtos e roubos, para mais tardiamente após escapar do ´´massacre da Candelária`` se juntar a Alê Monstro (Marcelo Mello) e fugir da prisão de menores. A partir daí ele se torna um verdadeiro bandido, cometendo assaltos. Sua mãe verdadeira Marisa (Cris Vianna) parte à procura de seu filho, a fim de resgatá-lo daquele mundo e tentar lhe dar uma vida melhor, mas nada poderia convencer Sandro de que ele era apenas um garoto e tinha chance de ser salvo.
Me surpreendeu bastante a direção de Barreto, embora houvesse falhas claras. O principal mérito foi manter o ritmo de uma verdadeira biografia sem que ela caísse no desgosto por se tratar de uma figura transformada em monstro pelo país. Fez uma direção segura e bastante centrada e organizada, mas peca somente em algumas cenas superficiais por demais que poderiam levar o espectador aí sim a pensar dele estar querendo vitimizar o bandido. Outro aspecto importante de sua direção foi não permitir que o filme se tornasse lento, ajudado bastante pela boa fotografia e ótima montagem, mas principalmente pelas ótimas atuações, principalmente do seu protagonista. Parece ter muito futuro esse Michel Gomes. A trilha sonora serve para avisar de que algo terrível e trágico viria a acontecer, e funciona em certo ponto. Um ponto fraco do roteiro e do diretor foi explocar muito pouco o assalto, a parte mais esperada do filme na verdade. Ele foi enfocado como apenas mais uma parte da vida de Sandro, e por esse aspecto o longa perdeu muito de sua tonicidade e realidade. Além de que algumas cenas clichês no momento mais inoportuno (Walquíria gritando ´´Alê``), e revoltante como a de ver um bandido safado como Alê Monstro, que matou uma mulher à sangue frio, derramar lágrimas por Sandro e consolar a sua mãe no enterro.
Lembro como hoje do assalto ao ônibus 174, aliás quem assistia à tv na hora não tem como não lembrar. Como eu disse, a história de Sandro é só mais uma dentre várias, mas também de várias que não seguem o mesmo caminho vermelho deste, e hoje possuem emprego, casa, filhos, esposa. Ele nunca vai ser um herói, muito menos uma vítima. Embora tivesse propício a se tornar aquilo ele teve por diversas vezes a escolha entre o bem e o mal, e sempre escolheu o mal. Poderia continuar morando com a tia e não o fez, poderia ajudar e viver auxiliado pela tia Walquíria (Anna Cotrim) como aparentemente outros meninos fizeram, ou até ter vivido com sua mãe e buscar um outro rumo. Mas não, ele por livre arbítrio escolheu seu caminho e foi justamente isso o que o roteiro de Braulio Mantovani tentou demonstrar. Ninguém nasce para isso ou aquilo. Todos nós temos a oportunidade de escolher se vamos entrar na porta azul ou vermelha. Boa educação e tratamento ajudam na hora de escolher é verdade, mas isto muito mais depende da índole da própria pessoa.
Cotação: 7.5





