quarta-feira, 25 de junho de 2008

Amacord


Título original: Amacord
Ano de lançamento (Itália): 1973
Direção: Frederico Fellini

Frederico Fellini foi sem dúvidas um dos maiores diretores da história do cinema. Detentor de obra-primas fenomenais e valiosas ao lonngo de sua carreira, sempre procurou unir em todos os seus filmes os conhecimentos e aprendizados que ia adquirindo. Nas suas obras sempre se vêem os mesmos aspectos, tomados de maneira diferente ou semelhante na temática do filme. O que mais se destaca nos seus trabalhos é claro o humor poético e a divergência entre a realidade e o fantasioso, onde fora apelidado por alguns de lirismo felliniano. Essa poeticidade está presente logicamente em Amacord, um dos melhores senão o melhor, que retratam bem o mundo e o que se passa dentro da cabeça deste mestre Frederico Fellini.

Muitos o consideram como a melhor realização de Fellini, o melhor filme italiano, o melhor filme europeu, o melhor filme estrangeiro e ora o melhor filme de todos. Todas essas afirmações são aceitáveis pelo ponto de vista crítico e embora eu não ache o melhor de todos, considero um dos e dou razão a quem o faz. Como em vários filmes do diretor a trama é repleta de personagens e histórias, com peculiariedades e semelhanças entre todos. Se pedirem a sinopse do filme ela seria a seguinte: Frederico Fellini analisa a vida familiar e religiosa, a educação e a política da Itália nos anos 30, dominada pelo Fascismo. E impressionantemente detalhista, ele nos mostra a base da sociedade italiana daquela época.

Tudo isso acontece através dos olhos de Titta (Bruno Zanin), um garoto irresponsável e inconsequente que adora aprontar com seus colegas de classe. Entram na história os pais de Titta, constantemente brigando entre a família, Gradisca ( a mulher madura pelo qual Titta era apaixonado além de quase toda a cidade), Volpina (uma ninfomaníaca), a peituda dona da tabacaria, além de um mendigo e um socialight que apresentam e analisam os fatos ocorridos na cidade, explicando e demonstrando como era, isso olhando para a câmera. Ou seja, com esses dois personagens falando e se comunicando diretamente com a câmera eles estavam se comunicando diretamente com nós mesmos, portanto faríamos e nos sentiríamos integrantes daquele povo.

Muitos dizem que este filme é um retrato altamente biográfico da vida de Fellini. Ele por diversas vezes negou, mas afirmou que contém passagens semelhantes ao que ele viveu, e com certeza contém, como contém. Tanto que a palavra ´´Amacord`` significa na região onde Fellini nasceu ´´mi recordo`` em italiano. Daí se vê e entende-se além dos vários personagens do filme aqueles dois que constantemente olham e falam para a câmera. Eles representavam o próprio Fellini e suas várias facetas, falando e dialogando conosco. Talvez ele tenha negado ser um filme auto-biográfico pelo fato dos garotos do filme serem tão pevertidos e assim seria Fellini, mas na infância e adolescência todos nós somos. Como também os adultos são do mesmo jeito retratado no filme, e os idosos. Impossível não se identificar e relacionar seus sentimentos com os personagens.

Um filme que não possui uma história central, um acontecimento que desencadeia numa consequência. Possui várias histórias e acontecimentos que desencadeiam em várias consequências. E assim é a sociedade, agora que escrevo acontecem inúmeros peculiares e semelhanças sociais. Singelo, engraçado, tocante e poético, uma obra-prima imperdível para quem se diz amante da sétima arte.

P.S. Procurei colocar um pôster do filme dessa vez, para retratar os vários personagens da película.

Cotação: 10

domingo, 22 de junho de 2008

No Vale Das Sombras


Título original: In The Valley of Elah
Ano de lançamento (E.U.A): 2007
Direção: Paul Haggis


Desculpem pela demora. Mas agora de computador novo e férias da faculdade serão mais de dois ou três posts por semana, juro ! rsrsrs

No seu segundo filme como diretor Paul Haggis mostra mais uma vez um certo talento e um futuro bastante promissor quanto
à sua carreira no cargo de direção. Depois de Crash (vencedor do Oscar de melhor filme, embora não altamente merecido), ele nos traz mais recentemente uma alusão crítica a Guerra do Iraque, retratada como apenas um elemento a mais no filme, mas como o mais importante e causador de tudo que acontece com seus personagens. Embora possua um inicio meio monótono (talvez por ser apenas explicatório sem apresentar respostas à trama), esse é extamente o que o filme fica longe de ser no desenrolar da história. Algo muito trabalhoso e difícil de ser alcançado em filmes longos como esse.

No longa, logo na primeira semana após voltar do Iraque, o filho de
Hank (Tommy Lee Jones) e Joan (Susan Sarandon) desaparece e é considerado foragido do exercito. Após saber do caso Hank, ex-policial militar e veterano do Vietnan decide partir em busca de seu filho. Quando o corpo do jovem é encontrado totalmente carbonizado e desfigurado Hank se junta a investigadora Emily Sanders (Charlize Theron) para descobrir quem teria feito aquilo. Na medida em que os dois vão solucionando os fatos, passam a se ver dentro de um crime no qual teriam que enfrentar o alto escalão militar para desvendarem o caso.

A direção madura e persistente de Paul Haggis faz com que os atores possuam liberdade nas cenas e embora não haja nada demais nas atuações de Charlize Teron e Susan Sarandon (desperdiçada no longa) é Tommy Lee que arranca elogios com sua atuação mais do que excelente, mas também fruto do trabalho talentoso do ator. Como percebe-se facilmente no filme, o personagem de Tommy Lee raramente se deixa abater pelo que esta acontecendo, ele encara tudo de cabeça erguida e com o choro preso na garganta e nos olhos. Tommy Lee nos passa de maneira triste, revoltante e oculta os sentimentos do personagem.

A
crítica a guerra é claramente refletida através dos vídeos do celular do filho, no qual ele consegue recuperar, e vê seu próprio filho torturando iraquianos junto com todos os outros. O filho dele poderia não ser uma pessoa má, mas a guerra o transformou naquilo que se vê e se acha completamente normal em tempos de guerra. Como combatente do Vietnam Hank acha certa a Guerra do Iraque, mas à medida dos acontecimentos e das verdades virem à tona ele passa a refletir e discordar da guerra.

Num final onde se mostra claramente a discordância de Hank com o estado atual de seu país, bastante similar com a história da mulher que perdeu o filho na Guerra do Iraque em Farenheith-11 de setembro, de Michael Moore. Ela que antes apoiava todas as guerras dos E.U.A e inclusive teve vários de seus parentes nas outras guerras anteriores, ficou bastante revoltada e oposicionista ao governo após seu filho ser morto.

Filme superior a Crash e que mostra a ascensão do diretor Paul Haggis, além de demonstrar uma clara preocupação dos americanos do Iraque, como se vê em vários longas, curtas e documentários.

Cotação: 7.5

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O Ultimato Bourne


Título original: The Bourne Ultimatum
Ano de lançamento (E.U.A): 2007
Direção: Paul Greengass

Desculpem pela demora, mas aconteceu um pequeno acidente com meu computador, tanto que vim postar agora no computador de meu irmão, já que ele não está em casa rsrsrs.
Raramente eu gosto de filmes de ação. Na sua grande maioria esse tipo de filme é fantasioso ao extremo, possui um roteiro cheio de tiros e pouca história, dramaticidade e conteúdo. Olhem Steven Seagal, um dos homens vivos que mais detesto no mundo. Mas toda regra tem exceção e reconheço que existem sim excelentes filmes de ação, onde além de vários aspectos, possui uma estória mais carregada dos gêneros de drama e policial, embora se classifique como um filme genuinamente de ação. E o espetacular O Ultimato Bourne é um claro exemplo disso, onde se sobressai por apresentar outro gênero também; espionagem.

Terminando sua trilogia com chave de ouro e da melhor maneira possível o último filme da saga é antecidido por A Identidade Bourne e A Supremacia Bourne, ambos filmes muito bons, sendo o primeiro superior e como o segundo embora bom tenha sido dirigido por Paul Greengass pensei que o terceiro iria ser inferior aos outros dois, já que ele também assume a direção deste. Feliz engano. Uma grande importância para ser ressaltado na saga Bourne é o suspense eletrizante passado em todos os três filmes. Suas cenas de perseguição no meio da multidão são marcantes, principalmente neste último.

Esse elemento a mais no filme se deve à primorosa e sensacional edição da película, feita por Christopher Rouse, e um dos melhores aspectos senão o melhor da obra. É uma montagem eletrizante e empolgante, revelando claramente o estilo de dirigir do Paul. Logo no início do filme, nos vimos numa cena onde Jason Bourne tenta se encontrar com um homem que lhe tem informações no meio da multidão. Mas ao telefone eles ficam rodando a multidão, tentando desviar os agentes que o estavam perseguindo do caminho. É simplesmente espetacular a união tão bem feita entre direção, montagem, som e trilha sonora nessa cena.

No fime Jason Bourne (Matt Damon) é um homem que vive sem país e passado após ter sido submetido a um tratamento degradante do qual não se lembra. Ele na verdade é um ex-agente do programa Treadstone, que se revoltou com o programa e agora a C.I.A está atrás dele. Não lembrando de nada ele decidiu sumir, mas a C.I.A o encontra mais uma vez e ele novamente se torna um alvo, vendo mais uma oportunidade de descobrir sobre seu passado. Matt Damon está mais uma vez soberbo no papel do herói, e acreditem; não queiram brigar com ele rsrs. Destaque também para David Strathairn. É ótimo também ver o amadurecimento que o personagem vai absoverndo com o passar do tempo nos três longas e como isso o ajudou.

O Ultimato Bourne foi na minha opinião um dos melhores filmes do ano passado e deveria, porque não, ser muito mais lembrado no Oscar além das 3 merecidas (principalmente montagem) estatuetas que levou. Quem sabe uma indicação a empolgante e consistente direção do Paul Greengas, o qual venho me tornando mais fã. Enfim, procurem assistir esta excelente trilogia, que fecha com um dos melhores filmes de ação e espionagem de todos.

Cotação: 9.0

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os Infiltrados


Título original: The Departed
Ano de lançamento (E.U.A): 2006
Direção: Martin Scorsese


Martin Scorsese é para mim e para muitos admiradores da sétima arte o melhor diretor vivo do cinema, já eu ainda vou mais longe. Considero-o melhor diretor da história dentre todos os outros grandes diretores a que eu tive a oportunidade de apreciar. Apenas olhem a sua filmografia que varia desde clássicos memoráveis como Taxi Driver, Touro Indomável, Os Bons Companheiros, Cassino até obra-primas menos conhecidas e não por isso menos consagradas como Caminhos Perigosos, A Cor do Dinheiro, Depois de Horas, Cabo do Medo, Gangues de Nova York, O Aviador, entre vários outros. Era o ser - humano vivo mais injustiçado pela Academia até vim ganhar seu Oscar tardiamente por Os Infiltrados.

Depois de ter sido injustiçado e algumas vezes esnobado pelo Academy Awards, Scorsese viria a ganhar seu primeiro Oscar de direção por um filme em que voltava às suas raízes. A violência suburbana e o mundo da máfia ressurgiriam. O principal destaque deste tipo de filmes de Scorsese é exatamente o realismo incrível que se passa nas telas, ajudado principalmente pelas ótimas atuações que ele retira dos atores, pela sequência dos fatos e claro pela violência, da maneira visceral e natural com que ela é tratada, andando lado a lado com o humor negro, fato bastante constante em seus filmes.

Pois bem, no post anterior comentei sobre o filme original em que Os Infiltrados se baseia; Conflitos Internos. E pela segunda vez Scorsese consegue fazer um remake superior à sua obra original, vide Cabo do Medo. Apontei algumas falhas na direção e principalmente no roteiro de Conflitos Internos, e aqui nesta versão americanizada essas falhas são devidamente corrigidas e melhoradas. O fantástico roteiro de William Monaham não só muda os nomes e o local da trama, ele reinventa basicamente tudo, sua transformação da história de Hong Kong para Boston foi espetaculamente bem feita e realizada. Como comentaram no post anterior, ele reimagina e faz com que Os Infiltrados, embora possuam a mesma temática e sequência, seja uma trama diferente de Conflitos Internos.

Os longas de Marty são como já refletido bastante realistas, mostram o mundo que se aborda no filme como ele realmente é. E para basear-se nesse aspectos, Scorsese fundamenta-se em três princípios quando se fala de bandidagem; o erro e fragilidade humana, a violência suburbana e o humor negro. Todos andam lado a lado e ou alternam ou ocorrem ao mesmo tempo da película, todos estão sujeitos a sofrer ou até praticar a violência, dependendo do momento de fragilidade em que se encontram, sem nunca perder as piadas de excelente bom gosto contadas ao longo da obra que serve para além de quebrar o clima, manter um realismo a mais.

Mas não é somente isso que merece destaque na direção de Scorsese. Além desses aspectos já conhecidos da sua filmografia, ele ainda nos passa uma tensão acentuando num suspense agonizante, assim como Conflitos Internos, mas em The Departed esse suspense é passada de maneira mais natural, isso se deve à maturidade de sua direção e claro a excelentes atuações que acompanham e seguem uma narrativa impecável, que retira de todos o seu máximo. Não é preciso falar a história do longa penso eu, todos já devem ter assistido, mas rapidinho.

Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) se infiltra na máfia de Frank Costello (Jack Nicholson) , que por sua vez infiltra Collin Sullivan (Matt Damon) na polícia, e quando ambos descobrem a existência de um espião dentro deles, eles tentam identificar quem seria o rato dentro de cada uma. DiCaprio prova mais uma vez que não é o rostinho bonito que encanta as adolescentes mundo afora, tem uma atuação espetacular nos passando um personagem conflituoso e triste com a vida que vai levando. Matt nos passa um personagem mais carismático e talvez por isso mesmo, mais irônico onde se interessa apenas para o que ocorre consigo e nada mais. Já Jack se sobressai e nos apresenta mais um dos mafiosos memoráveis da história do cinema. Martin Sheen, Alec Baldwin, Ray Whinstone e principalmente Mark Whalberg, todo elenco do filme teve uma atuação consistente, ajudada bastante por Scorsese.

E só para constar, o filme faz uma grande crítica à realidade cotidiana, nos seus minutos finais. Na minha opinião; mais uma obra-prima de Scorsese.



Cotação: 9.8

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Conflitos Internos



Título original: Mou Gaan Dou
Ano de lançamento (2002): China
Direção: Andrew Lau e Alan Mak

Para quem ainda não sabe, o filme vencedor da principal categoria do Oscar em 2007 ´´Os Infiltrados``, do mestre Martin Scorsese (o qual será muito comentado por aqui neste blog por ser o maior diretor vivo na minha opinião), é uma refilmagem de um thiller policial chinês chamado ´´Mou Gaan Dou`` da dupla de diretores Andrew Lau e Alan Mak. A refilmagem bastante americanizada e modificada de Scorsese gerou na maioria boas críticas, mas obteve também algumas ruins, o que não impediu o sucesso do filme.

Pois bem, resolvi falar paralelamente dos dois em duas postagens. Primeiro postarei e falarei sobre o original e em seguida falarei sobre o filme de Scorsese no outro post. A semelhança dos dois longas é notória, são temas bastantes atuais e complexos que se discutem e avaliam-se em ambos os filmes. Ambos são muito bons, muito bons mesmo, mas devo confessar que no quesito maturidade, além da dramaticidade e do suspense que é refletido nos dois longas, ´´Os Infiltrados`` consegue ser melhor do que o próprio longa original. Muita gente aqui vai discordar, o que é altamente normal, mas na minha opinião Scorsese nos trouxe mais uma de suas obra-primas do gênero, enquanto Lau e Mak um ótimo suspense policial que se sobressai em alguns aspectos e falha em outros.

A história é basicamente a mesma. Chan (Tony Leung Chiu Wai) recebe a árdua missão de se infiltrar na ascendente máfia de Triad (Eric Tsang), que por sua vez manda Lau (Andy Lau) para servir de espião na polícia para os criminosos. Por uma sequência bastante flash e um pouco confusa vemos o que vinha acontecendo com cada um dos infiltrados (a ascensão de ambos no mundo do crime e da polícia). Se passam 10 anos ( está aí uma das grandes diferenças entre os dois filmes) e os dois continuam seguindo suas dupla-vidas, o que perturba claramente Chan, já bastante desgastado do cotidiano de que era obrigado a seguir nesse enorme período. Quando numa transação de drogas percebe-se a existência de um espião dentro da máfia e outro dentro da polícia, os dois tentam a todo custo desmascarar o infiltrado de ambos os lados.

Essa transação de drogas aliás é um dos pontos altos do filme. Em ´´Os Infiltrados`` essa cena é a mesma em que a trupe de Costello faz uma transação de chips com uns chineses. Então, essa sequência aqui é muito mais intrigante e tensa do que a passada no remake. Chan se comunica em código morse com o chefe da polícia enquanto Lau percebe e tenta avisar ao criminoso que ele desfaça a transição, pois havia um espião. Essa cena admito, é melhor do que a cena em ´´The Departed``, mas no conjunto ´´Mou Gaan Dou`` perde.

Por exemplo; um erro constante no filme que se repete inúmeras vezes demasiadamente é aquela velha mania de voltar cenas do passado. Como na cena do envelope em que Chan se dá conta da indentidade do bandido infiltrado. Voltamos ao passado para rever ele escrevendo no envelope, com uma fotografia mais clara meio que parecendo coisa de novela mesmo. E infelizmente não é só uma única cena, quem assistiu ao filme sabe. Mas entre todos os erros do filme não há um sequer que danifique seriamente a grande qualidade do filme, que merece destaque como um ótimo longa de suspense policial, divertido, triste e irônico.

O filme é ótimo. A direção é consistente, se perde em alguns pontos de imaturidade, mas se salva em outros de criatividade. O melhor claramente são as atuações, principalmente do Tony Leung que rouba a cena com um personagem bastante complexo e cansado, que quer apenas abandonar seu cargo e rumar para outra vida. O roteiro pode-se perdoar todas as falhas existentes, pois é cheio de reviravoltas assim como ´´Os Iniltrados``. Enfim, é um ótimo filme, mas perde para seu remake, pois não se pode disputar com um gênio como Scorsese.

Cotação: 7.2

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ladrões de Bicicletas


Título original: Ladri di Biciclette
Ano de lançamento (Itália): 1948
Direção: Vittorio De Sica

Há quem diga que este seja o melhor filme que representa o neo-realismo italiano e realmente, depois de assistir, é difícil discordar. Os elementos da realidade são transportadas para a obra possuindo uma enorme veracidade e que, em algumas cenas, se aproximam de um documentário. Esse movimento servia para mostrar a realidade social e econômica do país na época e é exatamente isso, com uma perfeição incrível, que ´´Ladrões de Bicicletas`` passa da Itália pós-guerra para a tela.

Em Roma Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani), um desempregado casado e pai de dois filhos, recebe a oferta de um emprego como colador de cartazes. Para assumir o cargo ele teria de fazer uso de uma bicicleta durante seu turno, assim Ricci com ajuda da mulher consegue recuperar sua antiga bicicleta que havia penhorado. Feliz e bastante esperançoso quanto ao futuro seu e de sua família ele parte para o seu primeiro dia de trabalho, quando uma fatalidade acontece. Logo em seu primeiro dia, ela é roubada e Ricci não consegue alcançar o ladrão.

Desolado ele volta para casa, primeiro pegando seu filho mais velho (o outro é recém-nascido) através de um ônibus lotado em que ele precisa furar fila para não deixar o pequeno garoto esperando mais do que já estava. Desde já, vemos a incomunicabilidade que ele (o pai) tem para com seu filho , acentuando uma falta de demonstração de carinho e afeto. Mas não pensem que o que falta é carinho e afeto pelo menino, pelo contrário, ele adora o garoto e apenas não sabe demonstrar isso, o que faz o menino se sentir incomodado.

Decidido a recuperar sua bicileta no dia seguinte (domingo), antes que chegue segunda e ele perca prematuramente seu novo emprego, ele parte com seu filho Bruno (Enzo Staiola), com quem ele mal se comunicava já dito anteriormente, numa busca incansável, intrigante e emocionante pelo homem que havia lhe roubado ´´o futuro``. Era assim que Ricci considerava aquela bicicleta, com ela e o emprego ele e seus filhos não passariam mais fome e teriam uma vida ao menos confortável e suportável. O mais tocante do filme é além da busca de felicidade de Ricci com seu filho Bruno, a própria tentativa de aproximação entre ambos que Vittorio De Sica passa de maneira densa, difícil, a partir de diferentes comportamentos e atitudes do pai do garoto. Enquanto ele indignado com o que lhe está acontecendo anda pelas ruas sem olhar para o menino, que quase é atropelado sem o próprio pai perceber, ele leva seu filho a um restaurante fino (mesmo com miúdos no bolso) para tentar alegrá-lo em outro momento, e a preocupação dele com o filho é angustiante com close-ups no rosto preocupado de Ricci, amedontrado de ter acontecido um acidente com o garoto, em outra cena do filme.

Com takes fantásticos da cidade de Roma, ainda que com poucos recursos, Vittorio De Sica tenta mostrar a cidade Roma como um todo, todas suas camadas sociais e econômicas, onde Ricci e sua família eram apenas mais um dos vários casos de pobreza e superação. E de fato, a história por qual o personagem passa na busca de sua bicicleta é uma história de superação, muito triste e engraçada momentaneamente. Nossa torcida para que dê tudo certo com nossos heróis reais, pobres e frágeis (como seres-humanos que são) é incondicional, o que aliás é outro ponto importante do filme, que mostra como o homem em momentos de fragilidade pode agir aleatoriamente, sem pensar nas possíveis consequências.

E a cena que remete tudo do filme, junta todos os aspectos, é a cena em que Bruno vai até seu pai chorando e segura sua mão; aquilo tudo proporcionou uma reaproximação, ainda que tímida, entre pai e filho, seja o final triste ou feliz, o que num filme como esse acaba a graça se revelado para quem ainda não assistiu. Sem dúvidas, uma obra-prima e um dos melhores filmes da história.

Cotação: 10

sábado, 22 de março de 2008

Grande Prêmio Cinema Brasil ( Tropa... e O Ano... lideram )







Desculpem pela minha demora e ausência depois da premiação do Oscar, raros leitores e talvez único ( eu mesmo ) deste blog. Mas venho-lhes avisando que volto com tudo, em breve ocorrerá o Serginho´s Oscar com meus nomeados e seus votos para decidirmos quem foram os verdadeiramente melhores filmes de 2007, pois a voz do povo é a voz de Deus. Como pequena prévia aviso o seguinte: Sangue negro foi o melhor filme de 2007 no ponto de vista crítico do apenas fã e cinéfilo Sérgio Déda, e portanto ele se sobressairá nas indicações. Mas antes da premiação mais importante do cinema mundial rsrs, deixe-me apresentar outra premiação que conduz exatamente com o título deste post.
Eis os indicados ao Grande Prêmio Cinema Brasil, o ´´ Oscar brasileiro `` :

Melhor filme

- “O ano em que meus pais saíram de férias”
- “Baixio das bestas”
- “O céu de Suely”
- “O cheiro do ralo”
- “Tropa de elite”

Melhor diretor

- Beto Brant e Renato Ciasca (“Cão sem dono”)
- Cao Hamburger (“O ano em que meus pais saíram de férias”)
- João Moreira Salles (“Santiago”)
- José Padilha (“Tropa de Elite”)
- Karim Aïnouz (“O céu de Suely”)

Melhor ator

- João Miguel (“Mutum”)
- Lázaro Ramos (“Ó pai, ó”)
- Marco Ricca (“A Via Láctea”)
- Matheus Nachtergaele (“Baixio das bestas”)
- Selton Mello (“O cheiro do ralo”)
- Wagner Moura (“Tropa de elite”)

Melhor ator coadjuvante

- Caio Blat (“O ano em que meus pais saíram de férias”)
- Daniel Oliveira (“Zuzu Angel”)
- Germano Haiut (“O ano em que meus pais saíram de férias”)
- João Miguel (“O céu de Suely”)
- Milhem Cortaz (“Tropa de elite”)

Melhor atriz

- Andréa Beltrão (“Jogo de cena”)
- Carla Ribas (“A casa de Alice”)
- Dira Paes (“Baixio das bestas”)
- Hermila Guedes (“O céu de Suely”)
- Patrícia Pillar (“Zuzu Angel”)

Melhor atriz coadjuvante

- Alice Braga (“O cheiro do ralo”)
- Hermila Guedes (“Baixio das bestas”)
- Marcélia Cartaxo (“Baixio das bestas”)
- Silvia Lourenço (“O cheiro do ralo”)
- Simone Spoladore (“O ano em que meus pais saíram de férias”)

Melhor longa-metragem de animação

- “Brichos”
- “A turma da Mônica em uma aventura no tempo”
- “Wood & Stock, sexo, orégano e rock’n’roll”

Melhor longa-metragem estrangeiro

- “Babel”, de Alejandro González (EUA)
- “A culpa é do Fidel”, de Julie Gavras (França)
- “Os infiltrados”, de Martin Scorsese (EUA)
- “Pequena Miss Sunshine”, de J. Dayton e V. Farias (EUA)
- “A vida dos outros”, de Florian Henckel Von Donnersmarck (Alemanha)
- “Volver”, de Pedro Almodovar (Espanha)

Melhor roteiro original

- “A casa de Alice”
- “O ano em que meus pais saíram de férias”
- “Jogo de cena”
- “Saneamento básico – o filme”
- “Tropa de elite”

Melhor roteiro adaptado

- “Mutum”
- “Batismo de sangue”
- “O cheiro do ralo”
- “Cão sem dono”
- “Ó pai, ó”

Melhor direção de arte

- “O ano em que meus pais saíram de férias”
- “O cheiro do ralo”
- “Zuzu Angel”
- “O céu de Suely”
- “Tropa de elite”

Melhor direção de fotografia

- “O ano em que meus pais saíram de férias”
- “O cheiro do ralo”
- “Tropa de elite”
- “O céu de Suely”
- “Santiago”

Melhor som

- “O cheiro do ralo”
- “Santiago”
- “Tropa de elite”
- “O céu de Suely”
- “Zuzu Angel”
- “O ano em que meus pais saíram de férias”

Melhor trilha sonora

- “O cheiro do ralo”
- “O céu de Suely”
- “O ano em que meus pais saíram de férias”
- “Cartola música para os olhos”
- “Tropa de elite”

Melhor figurino

- “Noel – Poeta da Vila”
- “Tropa de elite”
- “O ano em que meus pais saíram de férias”
- “Zuzu Angel”
- “O céu de Suely”

Melhor longa-metragem de documentário

- “Cartola – Música para os olhos”
- “Estamira”
- “Fabricando Tom Zé”
- “Jogo de cena”
- “Santiago”

Melhor maquiagem

- “O ano em que meus pais saíram de férias”
- “O céu de Suely”
- “Tropa de elite”
- “Zuzu Angel”
- “Batismo de sangue”

Melhor efeito especial

- “O cheiro do ralo”
- “Saneamento básico – o filme”
- “Mutum”
- “Tropa de elite”
- “Cidade dos homens”

Melhor montagem de ficção

- “O ano em que meus pais saíram de férias”
- “Baixio das bestas”
- “O céu de Suely”
- “O cheiro do ralo”
- “Tropa de elite”

Melhor montagem de documentário

- “Santiago”
- “Pro dia nascer feliz”
- “Jogo de cena”
- “Person”
- “Estamira”


Não levem a mal, mas retirei as categorias relacionadas aos curtas, nada contra, muito pelo contrário pois em breve pretendo filmar os meus.
Bom... Tropa de Elite e O Ano... lideram e devem devidir os principais prêmios, sobrando para Tropa o favoritismo devido a enorme febre que tomou o país pelo filme. Muito bom ver O Cheiro do Ralo indicado, espero que ganhe pelo menos em roteiro adaptado e atriz coadjuvante, trilha sonora e quem sabe em direção de arte. Comento sobre todos os filmes indicados mais tardiamente.